Por Brunella Tristão Simonelli
Ninguém discorda que as empresas brasileiras enfrentam desafios grandiosos para manter o seu quadro de colaboradores de acordo com a necessidade. Ao mesmo tempo, a Inteligência Artificial faz com que haja uma mudança nas competências exigidas, o que se reflete, inclusive, na redução do número de analistas e na demanda por um número maior de especialistas.
Em dados recentes a PricewaterhouseCoopers (PwC) apontou que 36% dos CEOs brasileiros reconhecem dificuldades reais de retenção que afetam o desempenho operacional; 33% reconhecem abertamente que não conseguem contratar os profissionais necessários para sustentar essa transformação, ante 23% no cenário global; e 28,7% deles enxergam risco significativo de perda financeira devido à falta de talentos. Os dados fazem parte da 29ª CEO Survey da PwC, que entrevistou mais de 4.400 líderes de 95 países, incluindo o Brasil.
A saída talvez seja evoluir das tentativas de reter pessoas e passar a desenvolver estratégias para que os profissionais desejem permanecer.
Nesse sentido, o employer branding aparece cada vez mais conectado à experiência do colaborador, o que envolve a cultura organizacional, a liderança e as estratégia de gestão de pessoas. Isso porque investir apenas na imagem que a empresa tenta transmitir para o mercado é insuficiente. Se o colaborador entra e não percebe essa imagem traduzida em práticas e experiências, ele não permanece.
Ao mesmo tempo, para o Grupo Gestão RH, a liderança aparece como um dos grandes gargalos no cenário brasileiro. Essa é a conclusão após uma pesquisa recente, segundo a qual, 46% dos profissionais de RH consideram o desenvolvimento de líderes um papel central da gestão de pessoas nos próximos cinco anos, enquanto 38% apontam o despreparo das lideranças como uma preocupação importante.
A sensação de pertencimento é uma consequência direta da experiência que a organização oferece ao trabalhador, que em grande parte se materializa, exatamente, na relação estabelecida com os líderes.
Dito de outro modo, as pessoas ingressam por salário, reputação, benefícios, flexibilidade, localização e a visão da marca empregadora. Elas permanecem, contudo, por encontrarem sentido, reconhecimento, possibilidade de desenvolvimento, relações de confiança, autonomia e perspectivas de futuro.
O colaborador experimenta a organização, principalmente, através das relações que estabelece em seu dia a dia e por isso a relação com a liderança é decisiva. Dai a importância em desenvolver líderes.
Em síntese, a tecnologia transforma o trabalho com grande velocidade. Ao mesmo tempo, se torna cada vez mais relevante o que a tecnologia não entrega sozinha: vínculo, confiança, identidade, reconhecimento e pertencimento. Sem isso, as empresas continuarão sofrendo o impacto da diferença entre a quantidade e a qualidade das pessoas necessárias ao processo e aquela que a organização consegue suprir.


