Um conselho aos líderes: não procure você na sua equipe

Por Brunella Tristão Simonelli

“Na minha época”; “no seu lugar”; “quando eu comecei”; “eu teria feito assim”; “essa geração não tem jeito”.

Quem nunca ouviu ou disse essas frases, que tudo têm a ver com o choque geracional?

Fala-se da dificuldade em encontrar trabalhadores nos dias atuais, o que é um fato determinado por múltiplos fatores. Você já me leu escrevendo sobre isso:

– existe uma nova relação estabelecida com o trabalho. As expectativas em torno do “ser trabalhador”, o que as pessoas estão dispostas a entregar e o que esperam de retorno é bem diferente de anos atrás;

– existe menor disponibilidade quantitativa de trabalhadores. Os que se aposentam atualmente vieram de famílias que tinham, em média, 6,8 filhos. Os ingressantes no mercado de trabalho atual, por sua vez, vêm de onde se tem, em média, 1,9 filhos;

– a Gig Economy cresce 12% ao ano. No Brasil, temos em média, 2 milhões de profissionais que trabalham como entregadores dos mais diversos aplicativos.  Esses profissionais têm como média salarial R$ 3.100,00, a mesma média dos trabalhadores com vínculo CLT e um valor acima dos que têm esse vínculo, mas com baixa escolaridade;

– de acordo com os dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA) de 2022, o Brasil está abaixo dos demais países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) na proficiência em matemática e em leitura.

O que tudo isso quer dizer? Principalmente os 3 primeiros itens reforçam que o cenário de escassez de mão de obra não tem perspectivas de melhora em curto e médio prazos.

O último tópico nos alerta que é bem provável que as organizações tenham que lidar com gaps no aprendizado dos trabalhadores, que vêm da educação básica. Treinar e desenvolver é uma missão, mas será antes de tudo uma necessidade.

Portanto, eu deixo uma sugestão aos líderes. Não procure outro de você nas pessoas que você treina e desenvolve. Evite frustrações. Não estou dizendo que os trabalhadores disponíveis são piores do que tínhamos há alguns anos; estou afirmando que eles são diferentes.

Nada vai ser como antes. Ciente disso, o movimento deve ser o de fazer o melhor em uma nova realidade, que também tem boas surpresas a oferecer. Essa conduta evita frustrações e leva os líderes à ação, ao invés de entrarem na fila daqueles que simplesmente reclamam do cenário sem ações efetivas para o alcance de resultados apesar dele.

brunella@talentorh.net

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