A era da inteligência artificial e suas exigências aos profissionais, empresas e políticas públicas

Por Brunella Tristão Simonelli

As transformações tecnológicas são mesmo surpreendentes. Como explicar para algumas pessoas, que o PIX é uma opção de presente se esse mimo não é visto fisicamente? Ou ainda, que existe uma possibilidade de investimento em criptomoedas?

O avanço tecnológico é inegável e ao mesmo tempo desperta entusiasmo e preocupação, sobretudo, quando pensamos em sua influência no mercado de trabalho. Afinal, as inovações modificam algumas funções, extinguem e criam tantas outras.

O impacto existe e de tempos em tempos o vivenciamos, nos adaptamos até que novos recursos surjam. O processo é cíclico. A grande diferença que experienciamos na atualidade é que as transformações se tornaram mais significativas e cada vez mais velozes.

A bola da vez é a inteligência artificial. Tanto ela, quanto o processo de automação de forma geral, prometem ganho de eficiência e de produtividade. Algoritmos e máquinas liberam as pessoas de atividades repetitivas e sistematizadas. São esses os postos de trabalho em franca ameaça.

Por outro lado, as atividades técnicas altamente especializadas e as tarefas essencialmente humanas se mantêm em evidência nesse novo cenário.

Profissões ligadas à tecnologia, como desenvolvedores de softwares e especialistas em cibersegurança ganham destaque. Profissionais de saúde, que prestam assistência às necessidades humanas, que requerem empatia, cuidado e compreensão, continuam em alta. Educadores, profissionais de RH e demais segmentos voltados para o desenvolvimento das pessoas por meio de metodologias inovadoras, também.

Todos precisam se adaptar. A educação, por exemplo, passa por uma transformação enorme, já que aprender a perguntar se tornou uma habilidade inegociável com o advento da inteligência artificial.

As empresas necessitam se tornar atrativas àqueles que buscam qualidade de vida, saúde mental, inovação, aprendizado e que se esquivam do retrabalho fruto da ineficiência operacional.

Os profissionais dependem do desenvolvimento de habilidades que serão mais requeridas por essa nova realidade, tais como: comunicação, formação de pessoas, empatia, criatividade, proatividade e autonomia na tomada de decisões estratégicas.

As políticas públicas precisam cuidar para que os cidadãos consigam atravessar o abismo que os recursos tecnológicos impõem entre elas e o emprego. Afinal, sem acesso à formação de qualidade e à alfabetização digital mais pessoas estarão às margens das oportunidades profissionais e vulneráveis às precárias condições de trabalho e ao adoecimento físico e mental.

Um dia a sociedade vivenciou a Revolução Industrial. Há décadas experienciamos a influência da tecnologia em nossas vidas. Agora estamos em um nível mais elevado. Dependemos do pensamento crítico, da argumentação e da capacidade de elaborar perguntas precisas e estratégicas. É uma nova maneira de utilizarmos uma habilidade fundamentalmente humana: a comunicação. Que estejamos preparados e que esse desenvolvimento seja disponibilizado a todos.

brunella@talentorh.net

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