As “transforma-ações” vivenciadas em meus 25 anos de psicologia

Por Brunella Tristão Simonelli

No próximo sábado, 10 de outubro, comemoro 25 anos de formada pela UFES.

De lá para cá pude acompanhar mudanças importantes na psicologia como ciência e profissão. Primeiramente, destaco que em 2001, quando me formei, a UFES era a única instituição no Espírito Santo a oferecer o curso. Hoje podemos vê-lo disseminado em várias outras instituições de ensino superior no Estado, muitas das quais fiz parte como docente ao longo de 15 anos.

Quando caloura tinha a visão de que certamente atuaria na clínica em um consultório particular. Ainda como estagiária conheci a área de avaliação psicológica, da qual não me desliguei mais e com ela adentrei na Psicologia Organizacional e do Trabalho (POT).

Se no início a área de POT estava focada em colocar as pessoas certas nos postos de trabalho certos, hoje abraçamos a saúde do trabalhador cientes de que o sujeito é único e a separação entre vida profissional e pessoal é uma tentativa frustrada, que não tem condições de vingar fora do mundo das ideias. O trabalho é aspecto fundamental da vida e deve ser também promotor de saúde.

Hoje somos 612.789 psicólogas e psicólogos no Brasil, 9.814 só no Espírito Santo. Estamos no CRAS, CREAS, nos hospitais, no judiciário, nas políticas públicas, no esporte, nas escolas, nas comunidades, nas emergências e desastres, na neuropsicologia e não saímos da clínica.

Muitos termos mudaram, não por modismos ou “mimimi”, mas por uma visão mais humanizada das pessoas e dos espaços. Eu estudei psicologia do excepcional, psicologia industrial, já usei o termo morador de rua e já atuei em psicotécnico. Hoje entendo a relevância de termos como “pessoa como deficiência” e “pessoa em situação de rua”. Os termos destacam, antes de qualquer característica, o fato de ali haver uma pessoa.

Compreendo que o trabalho também é objeto da psicologia e as organizações têm responsabilidade sobre o impacto dele na vida das pessoas. Sei que o termo psicotécnico reduz os processos psicológicos e exalta a técnica ao invés do sujeito e entendo que deva ser substituído pela avaliação psicológica em um contexto x, y o z.

O primeiro princípio fundamental do nosso Código de Ética diz que “o psicólogo baseará o seu trabalho no respeito e na promoção da liberdade, da dignidade, da igualdade e da integridade do ser humano, apoiado nos valores que embasam a Declaração Universal dos Direitos Humanos”. Portanto, qualquer psicologia que fuja a esse princípio é só uma formação que foi incapaz de tocar o ser humano por trás dela e dificilmente o aproximará verdadeiramente de outros seres humanos.

As mudanças precisam promover a evolução e não o aprisionamento a ideias e modos de funcionamento arraigados que fogem ao seu tempo, porque o psicólogo, conforme terceiro princípio fundamental, também “atuará com responsabilidade social, analisando crítica e historicamente a realidade política, econômica, social e cultural”. Outubro, além de trazer o meu aniversário de formatura, traz as eleições, e esse é um bom momento para vivenciar esse princípio integralmente.

Afinal, não tem como ser “mais ou menos” psicóloga(o) ou só ser de vez em quando. Tenho muito orgulho dessa profissão e quero que a sociedade se orgulhe dos serviços por ela oferecidos. Parabéns aos nossos mestres e colegas da turma de Psicologia da UFES de 1996/2 a 2001/1.

brunella@talentorh.net

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