Por Brunella Tristão Simonelli
Colaboradores mais insatisfeitos com a comunicação interna, do que com a remuneração e com os benefícios? Índices de reprovação da comunicação entre 40% e 50%? Sim; são situações reais.
Quando realizamos uma pesquisa de clima organizacional, avaliamos os índices de satisfação e de insatisfação das equipes a partir de variáveis ou indicadores, tais como: relacionamento interpessoal, liderança, motivação, condições de trabalho, remuneração e benefícios, cultura organizacional, comunicação, entre outros.
Frequentemente, temos na comunicação interna um fator de insatisfação, maior até mesmo, do que com a política salarial e de benefícios.
Isso prova que fazer gestão de pessoas vai muito além de rever o plano de cargos e salários e que muitas pessoas optam por uma mudança de empresa pelas condições internas e não apenas por uma insatisfação com a forma como são remunerados.
Mas por que a comunicação é motivo de tanta insatisfação?
Pense comigo: distorções na comunicação geram retrabalho e perda de eficiência. O não compartilhamento de informações de forma homogênea exclui pessoas de um processo e causa conflitos de relacionamento, fazendo com que os elos da cadeia se rompam. O nível de comunicação está diretamente relacionado à capacidade de um líder formar pessoas, ao passo que a sua disposição em ouvir, diz acerca do que ele gera de sentimento de pertencimento e de abertura à inovação.
Acho que eu já lhe convenci que a comunicação interna é um ativo valioso a ser gerenciado pelas empresas. Ela é matéria prima para o relacionamento interpessoal, que por sua vez, representa a forma como a liderança se consolida. Deve ser vista, ainda, como fonte de informação e de conhecimento. Logo, sem a comunicação as pessoas não interagem, não aprendem e nenhum objetivo é compartilhado. Afinal, a comunicação visa tornar COMUM uma AÇÃO.
Inegavelmente, multiplicamos as nossas ferramentas. Tecnologia e canais não nos faltam. Seja falada, escrita, gesticulada, experienciada no real ou metaverso, os recursos evoluíram, contudo, há algo essencialmente humano na comunicação. Se bem analisarmos os fatores comportamentais, as características de personalidade, a diversidade geracional e as limitações, das cognitivas às pessoais, são os fatores que mais impactam a transmissão que fazemos de informações, de significados e de sentido.
Portanto, a comunicação deve ser treinada e desenvolvida. Uma vez no centro da interação humana, ela se torna, também, o centro de uma organização, limitando-a ou potencializando-a, a depender de seu principal recurso: os sujeitos, ou seja, nós mesmos.
Desenvolvê-la é um investimento na satisfação das pessoas, no fortalecimento dos elos intersetoriais e na eficiência organizacional. Em maior ou menor grau essa é uma necessidade para você e para a sua empresa.


