Por Brunella Tristão Simonelli
Na capa de A Tribuna do último dia 28, lemos: “empresários encerram negócios por não encontrar quem trabalhe”.
E ainda: 8,4 milhões foi o número recorde de pedidos de demissão voluntária no Brasil, de novembro de 2023 a outubro de 2024. Essa foi a reportagem do Jornal Nacional também nos últimos dias do ano.
Nessa perspectiva falamos de uma dificuldade de contratação em nível nacional e não apenas estadual ou local, como muitos acreditam. As dificuldades de contratação refletem um cenário complexo e multifacetado. Não se trata apenas do acesso aos benefícios das políticas sociais ou de uma conjuntura econômica passageira. Esses fenômenos apontam para mudanças estruturais no que diz respeito à maneira como as pessoas lidam o trabalho, suas expectativas em relação aos empregadores, sobretudo, como pretendem alcançar um balanço harmonioso entre a vida profissional e a pessoal.
Já vivemos outras transformações anteriores. A própria Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) e a mais recente Reforma Trabalhista são exemplos.
A verdade é que nada mudará se as práticas de gestão de pessoas não mudarem. O momento atual exige que novos acordos e contratos sociais sejam estabelecidos entre empregadores e trabalhadores. Não é um jogo de ganha-perde; ao contrário, é uma possibilidade de estabelecer uma relação ganha-ganha.
Aquelas empresas que mais rapidamente compreenderem que as pessoas não buscam mais apenas estabilidade e longevidade no emprego e sim, experiências que agreguem valor ao seu desenvolvimento pessoal e profissional, bem como, propósito, certamente, enfrentarão esse desafio com a maior brevidade possível.
Assim como a CLT formalizou direitos trabalhistas para adaptar a sociedade às necessidades daquela época, as empresas de hoje precisam se adaptar às demandas dos novos tempos. Essa adaptação significa avaliar a possibilidade de oferecer novos modelos de trabalho, que combinem flexibilidade com entrega e desempenho.
Afinal, tanto a Reforma Trabalhista, quanto a pandemia fizeram com que os trabalhadores experimentassem novas modos de trabalhar. O fenômeno da terceirização, o empreendedorismo, o trabalho remoto ou híbrido, têm sua colaboração para essa nova realidade.
Nesse sentido, com negociação, mira-se na maior fluidez para os processos seletivos, mas se acerta na retenção de pessoas, o que é muito mais significativo do que apenas contratar. Percebe a possibilidade de ganha-ganha aí?
Acredite, as empresas não perderão. Não é um cabo de guerra. É o momento oportuno de profissionalizar a forma de fazer gestão de pessoas de uma maneira inteligente, estratégica e com o benefício de uma vantagem competitiva real.
A criação da CLT marcou o início de uma nova era nas relações trabalhistas. De igual modo, estamos hoje diante de uma revolução que exige inovação, flexibilidade e visão de longo prazo por parte de empresários e gestores.
É o futuro do trabalho que está em jogo. Estamos falando das melhores práticas capazes de atrair e reter talentos, que além de produtividade, podem entregar resultados surpreendentes.
brunella@talentorh.net


