Em comemoração ao Dia da(o) Psicóloga(o), uma convocação à democratização do serviço e ao acesso à informação no campo da saúde mental

Por Brunella Tristão Simonelli

No dia 27 de agosto comemoramos o Dia Nacional da(o) Psicóloga(o). A data remete ao ano de 1962, quando há 62 anos a profissão foi regulamentada no Brasil.

Somos o país com o maior número de psicólogas(os) no mundo, contando com mais de 530 mil profissionais em território nacional, segundo dados do Conselho Federal de Psicologia (CFP).

Apesar de estarmos nos consultórios, nas políticas públicas educacionais, de segurança, de saúde, de assistência social, no sistema de justiça, nos hospitais, no trânsito, nos esportes e nas organizações do trabalho, o acesso da população aos serviços psicológicos ainda é bastante restrito.

A avaliação psicológica, por exemplo, é uma atividade pertinente a várias dessas áreas e, para vários usuários do serviço, é o único contato com a psicologia ao longo da vida, sobretudo, nas avaliações compulsórias como as realizadas para a obtenção da Carteira Nacional de Habilitação ou em processos seletivos de empresas.

Esse pouco contato da população com a psicologia é multifatorial. Recebe a influência da distribuição territorial desigual dos profissionais, que se concentram nas áreas urbanas e mais desenvolvidas, bem como, do alto custo do atendimento privado, uma vez que a disponibilização do serviço por meio de políticas públicas ainda é desproporcional à demanda crescente. Conta, também, com o estigma em buscar o atendimento psicológico, o que é fruto de muita desinformação.

Precisamos, portanto, democratizar o acesso da psicologia ao mesmo tempo em que é urgente transmitir informações consistentes sobre a promoção da saúde mental. Quer um bom motivo para isso? No Brasil quase 10% da população convive com o transtorno de ansiedade. Além disso, os transtornos mentais de forma geral representam a terceira maior causa de afastamento dos profissionais do trabalho.

Ora, parece que os espaços coletivos são bastante pertinentes a esse propósito de acesso à informação e posterior democratização do serviço, concorda?

Darei apenas duas sugestões desses espaços: escolas e empresas.

A escola é um espaço de interesse para comunidade, famílias, políticas públicas e, obviamente, para os profissionais de educação. Nela as relações são próximas e duradouras o suficiente para que se percebam riscos potenciais e acometimentos no campo do adoecimento mental, seja dos usuários ou dos próprios profissionais de educação.

A cada encontro interno ou com a comunidade temos a oportunidade de levar informação e promover a saúde mental, inclusive, de forma leve e lúdica, desde que a Psicologia Escolar se faça presente.

O que dizer das empresas, então? Elas recebem a maior parte do investimento do tempo das pessoas. Lá os profissionais tentam equilibrar as suas demandas pessoais, financeiras, familiares, por formação acadêmica e desempenho. Logo, é um espaço de dúvidas, incertezas, pressão e potencial adoecimento.

O trabalho é tão presente e grandioso em nossa vida, que as relações nele estabelecidas se estendem para outros espaços: para os consultórios, onde os profissionais buscam atendimento; para os encontros familiares e sociais em que as pessoas procuram interação e acolhimento.

Aliás, grande parte do adoecimento mental envolve as relações vivenciadas no âmbito profissional, o que por si, justifica a presença dos profissionais de Psicologia Organizacional e do Trabalho (POT).

Onde houver pessoas reunidas haverá uma excelente oportunidade para falarmos sobre saúde mental. Desânimo, alterações de humor, mudanças repentinas de comportamento, atitudes impensadas, sofrimento, tristeza, euforia, e depressão são exemplos de emoções que merecem nossa atenção e cuidado. Não se trata de frescura ou fraqueza, mas de uma possibilidade da condição humana, que necessita de escuta ativa e atendimento especializado.

A você recomendo que observe as suas emoções e o seu comportamento e nos primeiros indícios de não se sentir bem, busque orientação profissional nos espaços mais próximos e acessíveis a você.

Àqueles que têm autonomia para oportunizar as discussões no campo de saúde mental, recomendo e espero que aproveitem qualquer chance de levar informação e abrir uma possibilidade de transformação na vida das pessoas.

Essa é a comemoração que almejamos!

brunella@talentorh.net

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