Expectativa x realidade: afinal o que as empresas precisam de um RH estratégico?

Por Brunella Tristão Simonelli

Lembro-me de, quando iniciei as atividades da Talento, constatar que muitas empresas não tinham um setor de Recursos Humanos (RH) efetivo. Ao invés disso, muitas delas ainda operavam apenas o setor de Departamento Pessoal (DP).

Pois bem, 22 anos depois, muitos avanços podem ser observados, mas ainda temos organizações que não mudaram a sua realidade no que se refere à gestão de pessoas.

De fato, as empresas que avançaram hoje contam com políticas e programas definidos; maior conhecimento sobre a legislação pertinente e são capazes de manter a dinâmica dos processos da área de gestão de pessoas funcionando.

Nessas empresas o processo de seleção é bem desenhado, o colaborador consegue visualizar a trilha de carreira que tem a traçar naquela organização, bem como, o suporte de desenvolvimento necessário, tanto por meio dos feedbacks formais de desempenho, quanto pelos programas de treinamento possíveis ali dentro.

Essa é a realidade, contudo, as expectativas já apontam há algum tempo para outras necessidades, em virtude das transformações que passam a relação das pessoas com o trabalho, sobretudo, as mudanças exponencialmente velozes do mercado, da evolução tecnológica, da concorrência, enfim.

Essas expectativas apontam para uma configuração muito mais proativa do setor. Espera-se, portanto, que as empresas se tornem desejadas pelos profissionais, ou seja, que elas atraiam talentos, o que vai muito além de preencher suas vagas.

É esperado, também, que o setor consiga prever gaps de habilidades e competências, antes que essa necessidade apareça nas operações, uma vez que o RH já trabalhará com o alinhamento dos times aos objetivos definidos no planejamento estratégico da empresa. Dessa forma, a atuação tem foco no futuro, no que está por vir em termos de negócios, mercado e talentos.

Nesse sentido, a quantidade de degraus que cada empresa precisará subir para alcançar essas expectativas, obviamente, variará de acordo com a visão sobre as pessoas que ela já construiu.

Se as pessoas ainda são vistas meramente como custos, subir e se distanciar da visão de DP custará mais.

Mas, se os processos já são bem desenhados e funcionais, os degraus mais desafiadores já foram vencidos. É hora de reunir esforços para vencer aqueles que impõem uma visão de futuro, estratégica e transformadora. Vamos juntos.


brunella@talentorh.net

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