Janeiro Branco: uma excelente oportunidade para planejar as novas exigências da NR-O1

Por Brunella Tristão Simonelli

Em 2024 o Capítulo 1.5 da Norma Regulamentadora (NR-01), que trata do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) foi atualizado.

Com isso, pela primeira vez foi introduzida a identificação de riscos psicossociais no ambiente de trabalho no texto da NR-01. Esse avanço propõe a promoção de ambientes de trabalhos seguros e sadios. O principal objetivo é afastar os trabalhadores da ocorrência, por exemplo, de assédio moral e sexual, certos de que essas são causas importantes de adoecimento entre os trabalhadores.

Com a alteração, a partir de 25 de maio de 2025 as empresas precisarão adotar medidas de gerenciamento desses riscos, reduzindo a carga de um ambiente tóxico, que adoeça os trabalhadores. Sendo assim, as organizações deverão realizar avaliações contínuas dos riscos e estabelecer estratégias para prevenir situações de assédio e violência, tal qual já previnem os acidentes de trabalho*.

Nesse sentido, as ações podem incluir políticas de prevenção ao assédio, fortalecimento da cultura organizacional, um programa de desenvolvimento de líderes, o monitoramento constante, além, claro, de conscientizar os colaboradores sobre questões relacionadas à saúde mental, desmistificando o estigma em torno do adoecimento.

Abrir um espaço de escuta ativa, no sentido de oferecer suporte emocional por meio de plantões psicológicos e atividades de orientação no campo de saúde mental também é imprescindível.

Estamos na Campanha Janeiro Branco e essa é uma excelente oportunidade para iniciar os planejamentos para adequação à atualização da NR-O1. Vale lembrar, que para a Organização Mundial de Saúde (OMS), cada US$ 1 investido em tratamento para os transtornos mais comuns, retorna em US$ 4 em melhora de saúde e de produtividade.

Mais do que atender à normativa é necessário equilibrar a saúde mental e a produtividade, tendo uma comunicação clara, oferecendo feedbacks construtivos, reconhecendo os esforços, promovendo a autonomia e a flexibilidade, e criando uma cultura de cuidado e respeito. Essas ações reduzem o absenteísmo, a rotatividade, os custos com saúde, os conflitos e as reclamações trabalhistas, além de aumentarem a satisfação, a motivação, a criatividade, a inovação e a competitividade. Sem falar, que a organização se torna mais atrativa, melhora a sua reputação e reduz as dificuldades atuais com a contratação.

Mas, como implantar estas ações voltadas para a saúde mental no trabalho? Os 5 passos a seguir vão do diagnóstico, à avaliação dos resultados, passando pelo redirecionamento das estratégias, se necessário. Então:

  1. Realize um diagnóstico da situação de saúde mental dos trabalhadores, identificando os fatores de risco e de proteção, as demandas e necessidades, os sintomas, os transtornos mais frequentes e os recursos disponíveis;
  • Elabore um plano de ação participativo, envolvendo os trabalhadores, os gestores, os profissionais de saúde, metas, estratégias, responsabilidades, prazos, indicadores, mecanismos de monitoramento e de avaliação;
  • Implemente as ações, priorizando as intervenções de caráter coletivo, estrutural e organizacional. Ações pontuais e mais específicas devem ser tratadas de forma individual e não substituem as ações voltadas para o todo;
  • Avalie os resultados, comparando objetivos, avanços reais e eventuais dificuldades;
  • Revise e ajuste o plano de ação de acordo com as necessidades. Busque a sustentabilidade e a continuidade das ações.

Dessa forma, você atenderá às exigências da NR-01 e manterá o ambiente de trabalho mais saudável e atrativo.

brunella@talentorh.net

*https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/noticias-e-conteudo/2024/Setembro/governo-federal-atualiza-nr-01-para-incluir-riscos-psicossociais-e-reconstitui-comissao-do-benzeno

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