Por Brunella Tristão Simonelli
Advogada, motorista, fisioterapeuta, empresária, gari, jornalista, médica, psicóloga, diarista, gestora, operadora de máquinas, engenheira. Independente da profissão, ela ainda pode ser filha, amiga, irmã, esposa, cuidadora, atleta e MÃE.
Elas estudam muito, destacando-se e superando os homens em termos de formação acadêmica. Apesar de cada vez mais presentes no mercado de trabalho, elas ainda recebem menos e ocupam menos cargos de liderança do que eles.
Alguns teóricos defendem a ideia de que as mulheres são preteridas não por um julgamento estereotipado e preconceituoso, mas sim, racional, em função dos custos sociais que a mulher enfrenta por sua posição na sociedade e na família. Em outras palavras, o mercado de trabalho pode entender que terá uma profissional dividida em outras duas funções: a de esposa e a de mãe.
Ora, maternidade não é prejuízo. Falar da maternidade hoje é falar de uma mãe que trabalha. O que as mulheres necessitam, então, é que seja repensada a divisão dos papéis sociais dentro da própria família, o que abrange o cuidado com os genitores, a gestão da casa e a própria educação dos filhos, tarefas direcionadas, na maioria das vezes, exclusivamente às mulheres. Precisam, também, que as organizações tomem decisões com base em critérios mais objetivos, avaliando, por exemplo, a sua entrega e o seu desempenho.
Vivemos de idealizações, tanto da mulher trabalhadora, quanto da mulher mãe. A primeira tem que ser autocentrada, equilibrada, produtiva, atualizada e deverá “saber separar a vida pessoal da profissional”, o que, teoricamente, os homens fazem muito bem. A segunda, por sua vez, é mergulhada em uma visão ideal de maternidade que tem atendido mais a uma realidade mercadológica, do que social em si. Afinal, uma mãe de verdade nos tempos de hoje, precisa caprichar no chá revelação, no chá de fraldas, nos “mesversários”, assistir a todos os desenhos da vez, estar disponível para a festa do pijama, senão, será menos mãe que outras. Da maternidade, só lhe contaram uma parte. A outra, ela só descobre vivendo, muitas vezes, com sobrecarga e adoecimento.
Ideais; só ideais. Tratam-se de visões fantasiosas, já que não há perfeição, nem na carreira, nem na maternidade. Então, leitores, eu os convido a algumas reflexões:
– será que os pais têm transmitido aos filhos que a carreira deles é mais importante, do que a das mães?
– mães, seus filhos entendem que vocês querem e gostam de trabalhar, que vocês sairão, passarão o dia fora e voltarão?
– mães que abandonam a carreira transmitem aos filhos ansiedade e frustração porque queriam estar trabalhando?
– mães que trabalham sentem e transmitem ansiedade por estarem ausentes?
Esses questionamentos podem levar a insights de como trabalhar, especificamente em sua família, essa divisão de papéis entre carreira e maternidade. É uma construção, não no caminho da perfeição, mas da realidade e da consideração ao desejo de cada um dentro dessa equação.
É possível conciliar maternidade e carreira; óbvio que sim. Precisamos, contudo, como sociedade, realinharmos a rota, as expectativas e nos distanciarmos dos discursos ideais de perfeição. Afinal, podemos errar.
No mais eu desejo um feliz Dia das Mães: às que gestam, às que educam, às que trabalham, às que perderam seus filhos, às filhas que sentem saudade das suas, sobretudo, às imperfeitas, porque são reais.


