Brunella Tristão Simonelli
Chegou a época mais solidária do ano. As pessoas ficam mais inclinadas ao voluntariado, à busca de sentido para a vida, a fazerem o bem e a diferença na vida do outro.
Alguns repetem as ações bem-sucedidas já adotadas em anos anteriores, enquanto outros ainda buscam uma maneira de viver um Natal com propósito, que reflita positivamente na vida das pessoas.
É um momento importante, já que a muitos falta o básico: uma refeição, um calçado ou um remédio, quem dirá um brinquedo. Portanto, é bastante significativo poder contar com essa onda de solidariedade em uma data que celebra a renovação, a esperança e marca o fechamento de um ciclo para que outro renasça.
A pergunta que se faz é: e os outros dias do ano? O quanto dessa solidariedade pode ser replicada em forma de empatia em momentos diversos? Do que as pessoas realmente precisam, incluindo aquelas que não sofrem com necessidades básicas? E quando a sensação é a de ter muito e mesmo assim faltar muita coisa?
Nesse sentido, tornamos o leque de necessidades muito mais amplo. É só fazer uma breve pesquisa sobre saúde mental no Brasil para compreendermos mais sobre essas demandas.
Segundo o Instituto da Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IPq)*, uma pesquisa da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), aponta que “houve aumento de 90% nos casos de depressão entre março e abril de 2023. Já os episódios de crises de ansiedade e sintomas de estresse agudo quase dobraram no mesmo período.
Que não desconsideremos as necessidades básicas, contudo, precisamos entender que a contemporaneidade impõe novas demandas para que o sujeito esteja saudável e a vida social faz parte desse parâmetro.
Será que as relações interpessoais que mantemos nos dias de hoje é suficiente para suprir as nossas necessidades sociais a ponto de colaborar para que um sujeito seja saudável?
A palavra empatia está aos ventos, mas como anda nas ações humanas? E aqui chegamos a um ponto importante: a contradição clara e visível entre teoria e prática, entre o real e o virtual.
Gera muita estranheza comparar a felicidade e perfeição das redes sociais com o nível de sofrimento psíquico que as pessoas vivenciam, concorda?
E aqui ouso deixar uma recomendação importante: não compare, nem calibre a sua vida pelo que você vê nas redes sociais. Nem toda realidade é instagramável e por isso não está lá.
Pautar a vida, o sentimento de pertencimento, a sensação de realização pelo que as pessoas, meticulosamente, editam para publicar, pode nos fazer ignorar todos os nossos progressos e conquistas.
Precisamos retomar a nossa vida real, os contatos autênticos, a sensatez sobre o que é verdade e o que é ilusão. É necessário compreendermos que o número de seguidores não representa a quantidade de amigos, de familiares ou de pessoas que realmente se importam conosco.
E no fundo, no fundo, sabe o que a gente quer das pessoas? Que elas sejam ombro, afinal, de apoio verdadeiro, em algum momento, todos nós podemos precisar.
Por isso eu repito: neste Natal, seja ombro. Se procura um sentido para essa data, simplesmente esteja lá: real, tocável e disponível.
Feliz Natal e lembre-se que o ombro serve para todos os dias do ano!
* https://ipqhc.org.br/2024/04/15/saude-mental-no-brasil-dados-e-panorama/


