O foco na saúde mental e a sua interferência no mercado de trabalho

Por Brunella Tristão Simonelli

Você se sente ansioso com frequência? A preocupação com o cotidiano e como futuro lhe trazem inquietações difíceis de controlar? Percebe que fica irritado facilmente?

Se você respondeu sim a essas perguntas, saiba que não está sozinho. A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que no Brasil, quase 10% da população convive com o transtorno de ansiedade. Agora, atenção: depressão, síndrome do pânico, estresse pós-traumático e burnout, também, são questões de saúde mental e elevam a importância do tema.

Mas afinal de contas, o que é saúde mental?

Para a OMS a saúde mental consiste em um estado de bem-estar no qual o indivíduo é capaz de usar suas próprias habilidades, equilibrar as demandas diárias, lidar com o estresse, ser produtivo e contribuir com a sua comunidade.

Perceba que esse é um conceito amplo, que ao invés de considerar a saúde mental uma questão meramente individual, expande a sua abrangência para o meio social, do qual o trabalho faz parte. Logo, vemos pessoas que adoecem em virtude de relações interpessoais abusivas e violentas.

Essas relações tóxicas podem acontecer em qualquer ambiente, todavia, vou relacionar a saúde mental, especificamente, ao trabalho, por proporcionar experiências muito diversas e até contraditórias. Ao mesmo tempo em que pode ser um espaço de apoio e incentivo, é também lugar de vaidades, disputas e rivalidades.

Ademais, a incerteza do mercado, as mudanças frequentes e a concorrência acirrada, fazem com que o profissional busque algo – qualificação, status, desempenho, produtividade – que parecem nunca ser suficientes e isso frustra.

Quem já sentiu uma interferência muito intensa do trabalho em sua vida pessoal, sobretudo, em sua saúde mental, tem sido mais exigente em suas escolhas profissionais.

A consequência é percebida pelo mercado de trabalho atual. Os trabalhadores cada vez mais escolhem jornadas mais flexíveis e mudam de emprego mais frequentemente em busca de um clima organizacional mais saudável e prazeroso.

Cargos de maior responsabilidade, sem contrapartida proporcional e que não atendam às necessidades pessoais são rejeitados pelos profissionais. Somado a isso, a pandemia fez com que muitas pessoas se reinventassem empreendendo, se identificassem com o home office e não voltassem ao mercado formal.

O resultado? Um apagão de mão de obra, ausências frequentes nos processos seletivos e um índice elevado de desistência dos empregos antes mesmo do encerramento do período de experiência.

Além disso, quem que já sentiu prejuízo em seu bem-estar e qualidade de vida em função do trabalho, tornou-se o selecionador. Escolhe o seu emprego e investiga a reputação da empresa, buscando referências de ex-colaboradores, inclusive.

Ora, não se trata mais de concordar ou não. É o outro lado da moeda. Cabe às organizações, então, conhecerem como seus colaboradores se sentem trabalhando ali, entenderem as suas expectativas, sobretudo, aquilo que faria com que trocassem de empresa e agirem preventivamente, evitando uma rotatividade ainda maior.

Isso não é diferente do que a Gestão de Pessoas já tinha como missão. A diferença é que agora se tornou uma prática inegociável e mais urgente, que ganha um novo subsistema: a promoção da saúde mental.

Acredite, estamos falando de um investimento em um negócio que precisa de gente para se manter. E você sabe; investimento é diferente de custo. Mais ainda; investir nas pessoas de sua empresa é investir em seu cliente.

brunella@talentorh.net

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