O que os Jogos Olímpicos ensinam à gestão de pessoas e de carreiras?

Por Brunella Tristão Simonelli

O maior evento esportivo do planeta é mesmo surpreendente! E não é só isso; as Olimpíadas têm muito a ensinar à gestão de pessoas e de nossas próprias carreiras. Treinamento, trabalho em equipe, liderança, estratégia, tecnologia, reputação, superação, motivação e disciplina são apenas alguns exemplos do que podemos aprender.

A edição atual traz alguns acontecimentos inéditos importantes. É a primeira vez que temos paridade de gênero em uma Olimpíada. Paris conta com o mesmo número de atletas mulheres e homens, o que representa um marco histórico para o esporte feminino. Esse status é muito esperado, também, no mercado de trabalho.

Além disso, os Jogos Olímpicos contam com 100% de eletricidade renovável: seis parques eólicos e dois parques solares. A abertura do evento aconteceu fora de um estádio, o que nos mostra que um bom trabalho não precisa acontecer institucionalizado física e geograficamente e o home office tem nos mostrado isso.

Convido-lhe agora a se ater a alguns episódios específicos dessa edição, como fonte de aprendizado e de correlação com o que vivenciamos diariamente, no campo da gestão de pessoas nas organizações e em nossas próprias carreiras. Venha comigo.

O fotógrafo Jerome Brouillet fez um registro do surfista Gabriel Medina que entrará para a história do esporte e dos jogos parisienses. Muitos dirão: “que sorte; ele estava no lugar certo e na hora certa”. O que poucos sabem é que a foto foi resultado de um estudo do comportamento do atleta. Ele já sabia que Medina faz algum gesto ou acrobacia ao sair das ondas. Não foi intuitivo, foi um posicionamento fundamentado em estudo e análise.

A ginasta brasileira, Flávia Saraiva, sofreu uma queda enquanto aquecia nas barras assimétricas, durante a final por equipes. A resiliência que Flávia demonstrou foi superior à adversidade. O seu desempenho foi uma vitória do seu estado emocional e, claro, de um acidente que não a impossibilitou fisicamente de competir.

Ainda em relação à ginástica feminina brasileira, sem deixar de incluir os demais jogos de equipe, percebemos o quanto a sinergia e a horizontalidade entre os talentos, sem posturas de favoritismo ou supremacia, trazem resultado. A torcida de cada uma é antes de tudo, por todas. Cada talento importa, mas a vibração e o entrosamento trazem um retorno superior à soma dos esforços de cada atleta individualmente.

Dos técnicos tiramos importantes aprendizados sobre liderança: apoio, orientação, suporte emocional, incentivo e estratégia de desenvolvimento. O técnico não joga, não disputa a modalidade, tampouco, sobe ao pódio. Sua eficácia e seu desempenho são avaliados pelo que consegue que os seus atletas façam. Não pode haver vaidade na liderança. Esse é um lugar de fazer com que outros se destaquem e se superem. Liderar é essencialmente gerenciar pessoas.

Equívocos custam uma medalha, contudo, não ofuscam um talento, não depreciam um mérito de virtude e de competência, nem impedem futuras vitórias. O importante é fazer de cada competição um aprendizado e de cada evolução um motivo para comemorar.

O sucesso vem de degrau em degrau. Não tem a ver com a idade e a vibração da Rayssa Leal com a terceira colocação no skate nos mostra bem isso. São apenas 16 anos e uma postura extremamente madura, profissional e inspiradora de quem já alcançou duas medalhas olímpicas.

É uma competição; eu sei. A eixo da questão, todavia, é avaliar se há satisfação, autorrealização e motivação em estar entre os melhores do mundo e não apenas em primeiro lugar.

Então, eu lhe pergunto: você comemora com propriedade os seus bronzes e as suas pequenas vitórias? Você vibra com as suas conquistas, por menores que sejam?

Tem superação que vale ouro e eu nem estou falando mais de medalhas.

brunella@talentorh.net

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