O que você busca em sua formação?

Por Brunella Tristão Simonelli

Todos sabem que as exigências do mercado de trabalho estão cada vez maiores e bastante originais, de acordo com as particularidades de cada negócio. Mas, não pelo negócio em si. O mundo mudou; as relações do trabalho, então! Estas estão velozmente em trans-formação.

O resultado é uma busca desesperada por cursos, especializações, ou simplesmente certificados, que muitas vezes são obtidos a qualquer preço e de qualquer forma. O mercado sempre avaliará a sua capacidade de aplicar o conhecimento que vem registrado em seu certificado. O documento sozinho não lhe acrescenta nada. Então, a regra é: formação continuada, sim; aplicação do conhecimento, capacidade de análise e tomada de decisão, também.

Não podemos esquecer, contudo, do nosso desenvolvimento pessoal, tão importante quanto nossa formação educacional e profissional. Uma mudança de atitude, na forma de se relacionar, de ouvir, de superar desafios e de suportar a pressão cotidiana podem valer muito mais do que um título… aquele que você buscou só por ser mais um título! Portanto, vale exercitar o autoconhecimento. Não estou sugerindo que você consuma todas as novidades em autoajuda, mas que aguce a sua curiosidade, que avalie com propriedade as suas potencialidades e limitações, que exercite o olhar para si e que dessa forma responsabilize-se por suas atitudes. Considere responsabilidade como “habilidade de responder”.

Outro fator importante é não deixar de viver apaixonado. Amar aquilo que faz, as pessoas com quem convive, sonhar e ir em busca de novas realizações ajuda a ser uma pessoa melhor nos relacionamentos, nos aprendizados e na própria atuação. Ninguém consegue atuar de forma eficiente, naquilo que não acredita, não é verdade?

Não dá para fugir disso. São esses aspectos que estão em jogo nos processos seletivos atuais, cada vez mais rigorosos. O mercado já sabe da relevância de tais aspectos. Agora só falta você! Quem não atentar para esses fatores que se intercalam (formação pessoal, profissional e educacional), tendo-os em sintonia, estará muitos passos atrás.

É simples entender o que quero dizer. É só deixar de pensar em “emprego”, para pensar em “carreira”. A invasão de contratações temporárias, terceirizadas e o fenômeno da pejotização (tornar-se PJ) vêm reduzindo o número de vagas de emprego formal. As empresas são seus clientes e a sua carreira é o serviço, que deve ser entendido como um projeto de duração variável e que por esse motivo requer planejamento e execução eficientes.

E se você acha muito difícil consolidar-se em sua carreira, olhe para você e avalie o grau de planejamento que teve em sua vida profissional. Não esqueça, todavia, de pensar no quanto conseguiu crescer pessoalmente, aprimorar os seus valores, tornar-se mais flexível, mais proativo e assertivo. Tente lembrar do último livro que leu, avaliar os sites que acessa, as dificuldades pessoais superadas e os conhecimentos que adquiriu sozinho. Recorde-se do seu relacionamento com os colegas de trabalho, familiares e amigos. Talvez você encontre a justificativa.

Por fim, depois de fazer estas reflexões, responda: você se sente preparado e tem alcançado, de fato, o que busca em sua formação?

brunella@talentorh.net

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