Por Brunella Tristão Simonelli
Se por muito tempo o entendimento sobre o papel do pai como provedor e apoiador meramente financeiro, não levantou a pauta sobre o período destinado à licença-paternidade, atualmente, as organizações estão inserindo um maior afastamento nas políticas organizacionais e de gestão de pessoas, justamente como forma de acompanhar as transformações que são visíveis na sociedade. Afinal, há um movimento importante no aumento da presença, da escuta e do afeto.
No Brasil a licença-paternidade padrão é de 5 dias corridos, contados a partir do nascimento do filho, da adoção ou da obtenção da guarda judicial. Se por um lado o período legal de afastamento é considerado curto, empresas que aderem ao Programa Empresa Cidadã do Governo Federal, podem ampliar a licença-paternidade para 20 dias.
Os benefícios são vários. Essa presença ampliada, que mantém a garantia dos direitos do trabalhador, fortalece os vínculos familiares e colabora com a saúde mental dos pais, reduzindo a ansiedade e a angústia durante esse período de adaptação.
Esse bem-estar é replicado à família: reflete no bebê, na mãe e nos demais filhos, quando há. Indiretamente, ainda, incentiva a cultura do apoio que certamente refletirá no fortalecimento de um ambiente mais inclusivo e comprometido com a formação de cidadãos, o que vai muito além da formação de trabalhadores.
Além disso, considera que pode haver outras configurações familiares, como no caso dos pais solo ou de casais homoafetivos.
Se antes a licença-paternidade de 5 dias sequer era questionada, hoje é percebida como insuficiente frente às demandas reais da parentalidade, que sempre existiram na verdade. Se, historicamente, os horários flexíveis eram pensados apenas para as mães, hoje se entende que a presença dos pais também impacta positivamente o desenvolvimento infantil, os vínculos familiares e até o desempenho profissional.
Às organizações sugere-se uma análise sobre o tema:
- nossos gestores reconhecem os múltiplos formatos de paternidade?
- temos políticas que acolham essa diversidade com equidade?
- há espaço para que os pais falem sobre suas vulnerabilidades e demandas emocionais?
Reconhecer a pluralidade de paternidades é mais do que uma pauta social. Trata-se de um movimento estratégico que fortalece o clima organizacional, amplia a escuta empática e mostra que há lugar para a vida real dentro das empresas.
Afinal, desligar a chave dos diversos papéis sociais, incluindo o de pai, quando se chega no trabalho pode até ser uma recomendação didática, mas não se aplica com a perfeição que é pregada, quando pensamos nos diversos vieses de ser humano.
Feliz Dia dos Pais: da Conexão e Gestão para toda a sua família.


