Preste muita atenção no que você repete

Por Brunella Tristão Simonelli

João mais uma vez desistiu de um curso de formação ainda na metade. Maria foi desligada do trabalho e pelo feedback recebido, pelo mesmo motivo que resultou em sua demissão de seus últimos três empregos. Pedro tem uma namorada nova e a família até se confunde de tanto que ela lembra o comportamento da anterior.

Freud já alertava: “até elaborar, você vai repetir.” A psicanálise considera que a repetição é um dos conceitos fundamentais para entender o funcionamento psíquico. É uma forma de o sujeito tentar elaborar situações do passado que são, no mínimo, conflitivas, sem que ele tenha consciência disso. Portanto, a repetição não é um simples ato mecânico. Ao contrário, se refere a uma busca inconsciente de sentido e de satisfação.

Daí o título do artigo de hoje. A repetição fala sobre um sintoma. Para romper com o ciclo da repetição, o sujeito precisa se confrontar com o seu desejo inconsciente, que é o que o impulsiona a repetir. Não é uma coincidência; é um conflito que aprisiona.

O gestor que se queixa do modo de funcionamento da sua equipe, enquanto rejeita todos que tentam promover a mudança, mostra que esse padrão comportamental é a forma inconsciente de se manter preso a uma realidade. O profissional que reclama de que todas as organizações são iguais ao mesmo tempo em que vivencia conflitos da mesma natureza, onde quer que esteja, também.

Na prática é como se a pessoa andasse em círculo. Em algumas situações o sujeito sequer percebe o que precisa ser desenvolvido. Em outras reconhece o que precisa ser mudado, tenta e não consegue sozinho. É, então, chegada a hora de recorrer a um ajuda profissional.

Questões de ordem emocional têm o poder de paralisar a vida. É o exemplo daquela pessoa extremamente competente, fluido em seu conhecimento e no desenvolvimento de novas habilidades, contudo, que esbarra na dificuldade em transformar todas as suas potencialidades em resultados. Ele faz, rascunha, planeja, refaz, se prepara brilhantemente, mas não entrega. Adia, reestrutura, atrasa de novo, de novo e de novo, em um nítido processo de repetição.

Essas colocações sintetizam muitos atendimentos de orientação profissional e de mentoria de carreira. Frequentemente o gargalo não está nas competências técnicas e sim, nas competências comportamentais com origem claramente emocional.

Então, essa semana lhe convido a uma reflexão. Sua saúde mental tem servido de ponte ou de muro? É uma aliada ou um obstáculo a ser transposto? Se você cuida dos sintomas físicos, por que não ser cuidadoso com os emocionais?

Acredite: a chave para o seu desenvolvimento pode estar aqui.

brunella@talentorh.net

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