Por Brunella Tristão Simonelli
“Uma coisa é uma coisa; outra coisa é outra coisa.” Essa frase é quase uma filosofia em forma de brincadeira.
“Não compre gato por lebre”, por sua vez, é um ditado popular. O que essas duas citações têm a ver com a Conexão e Gestão eu lhe explicarei nas próximas linhas.
Que a atualização da Norma Regulamentadora 1 (NR-1) propõe que todas as organizações façam a gestão dos riscos psicossociais você já sabe. O meu objetivo hoje é alertá-lo que ter um programa de saúde mental em sua empresa, por si só, não atende ao que a norma exige.
A gestão dos riscos psicossociais e a gestão de saúde mental no trabalho são processos que se complementam e por isso são frequentemente confundidos, contudo, não são sinônimos, tampouco substituem um ao outro.
Fazer a gestão dos riscos psicossociais, que é de fato o que a NR-1 exige, é, como usar uma lupa focada na identificação dos riscos presentes no ambiente de trabalho, que podem trazer danos à saúde física e mental dos trabalhadores. Daí a frequente confusão com os programas presentes na gestão de saúde mental.
A gestão dos riscos psicossociais inicialmente identificará uma relação entre as condições de trabalho e a saúde do trabalhador e, posteriormente, criará como plano de ação intervenções no ambiente e nas relações de trabalho, visando mitigar esses riscos. Veja; o foco está no ambiente.
Já a gestão de saúde mental, se configura como uma estratégia de intervenção, que visa assistir às demandas humanas no trabalho, trazendo equilíbrio entre as esferas pessoal, profissional, emocional e psíquica. Tem como objetivo promover o bem-estar e prevenir o adoecimento. O seu foco está nas pessoas, envolvendo as equipes e os líderes.
Perceba: fazer gestão de saúde mental não isenta as organizações de mapearem os riscos psicossociais antes. Nenhuma organização atende à NR-1 apenas oferecendo programas de saúde mental, por exemplo, já que para fazerem sentido a partir das exigências da norma regulamentadora precisam vir justificados nos planos de ação a partir dos riscos já identificados, inclusive, em graus de severidade e de probabilidade.
A conexão entre a gestão dos riscos psicossociais e a gestão de saúde mental precisa aparecer e estar explícita no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). O mesmo vale para as demais estratégias que não se relacionam com a saúde mental.
Entende a complementariedade entre os dois processos agora? Então, cuidado para não estar focado apenas na etapa final do que é exigido. Esse artigo é sobretudo um alerta às organizações que compram soluções milagrosas (gato), quando na verdade estão buscando atender à NR-1 (lebre) e, obviamente, melhorar a vida das pessoas ao mesmo tempo que faz crescer a sua produtividade.


