Por Brunella Tristão Simonelli
Certamente você conhece alguém que já foi demitido. Talvez, já tenha acontecido com você.
Normalmente, há dois caminhos possíveis:
- o líder passa essa solicitação ao setor de Recursos Humanos (RH), o que particularmente não acho o mais adequado, ou;
- o próprio líder faz o desligamento indicando os motivos e direciona ao RH a parte burocrática da demissão.
E se eu lhe disser que não são apenas líder e RH que demitem? Soa estranho? Eu explico.
Já vi muita gente ser demitida pelos colegas de trabalho. Em muitos casos há uma rejeição a alguns padrões comportamentais e a queixa e a insatisfação da equipe resultam nessa decisão. Entre as causas estão a baixa colaboração; uma postura rude e hostil; uma liderança negativa que puxa o grupo para baixo, minando a energia e a produtividade; fofocas e intrigas; e a falta de credibilidade perante os demais.
Esse é um exemplo clássico, que faz com que, mesmo um profissional tecnicamente qualificado, seja desligado ou mais do que isso: que ele construa a sua carreira pela via da instabilidade.
Pode até haver um baixo entendimento sobre as suas curtas permanências, mas ele está lá. Suas demissões se devem ao seu relacionamento interpessoal e se o perfil desse profissional contar ainda com uma resistência aos feedbacks de necessidade de melhoria, ninguém dirá isso a ele. E mais: se o autoconhecimento for insuficiente, ele passará uma vida terceirizando a responsabilidade pelo seu insucesso.
Existe, todavia, outro potencial causador de demissões e esse é poderoso. Refiro-me ao cliente. Suas insatisfações recorrentes ou uma dificuldade de o atendente (em qualquer área) se adequar à cultura organizacional ou a características peculiares do empreendimento demitem pessoas.
Há situações em que o cliente sai do estabelecimento com a sensação de que o profissional “não tem a cara do negócio”. Obviamente, se ele fez a sua escolha baseada no valor agregado do produto ou serviço, terá a sensação de que a empresa não entregou o que ele tinha como expectativa.
Logo, se com acompanhamento, direcionamento, treinamento e qualificação, a organização não conseguir reverter a baixa entrega de um profissional, certamente, ele será demitido pelo cliente, seja por suas queixas frequentes, seja por sua ausência.
Agora uma observação importante: de ausência em ausência o cliente não demite apenas um profissional ou outro; ele demite também o gestor, por meio do fechamento do seu negócio, simplesmente escolhendo outro lugar.
Portanto, colegas demitem colegas. Clientes demitem profissionais e gestores. Entende agora o porquê de as demissões não virem apenas do RH ou dos líderes? Por esse motivo, é indispensável gerenciar os desempenhos e a satisfação do cliente.


