Por Brunella Tristão Simonelli
Contratado pelo currículo e demitido pelo comportamento. Pelo menos há 20 anos esse discurso é muito forte.
O fato é que essa temática voltou com intensidade em várias pautas do contexto organizacional, mais especificamente da gestão de pessoas, depois que o 6° Observatório de Carreiras e Mercado realizado pelo PUCPR Carreiras, setor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, publicou os dados de um levantamento, que aponta para o fato de que 50% das demissões em 2024 terem sido causadas por questões comportamentais. Esse índice é significativamente maior do que as demais causas: automação das atividades (25%); e redução de custos e os cortes de despesas (25%).
A amostra que participou do levantamento foi composta por 3.631 estudantes, 3.655 egressos e 583 empresas da área de recrutamento humano. O estudo também demonstrou que no ano passado as habilidades mais valorizadas foram a comunicação oral (11,46%), o planejamento (10,73%), a solução de problemas (10,18%), gestão de conflitos (7,51%) e a comunicação escrita (7,42%).
Certo; mas se o tema não é novo por que a divulgação desses dados vem gerando tanto impacto e discussão? Vamos concordar que as empresas passam por uma crise de desempenho e de produtividade por vários motivos: escassez de mão de obra, menor permanência dos profissionais em seus empregos, além da opção ou conciliação de suas carreiras com atividades empreendedoras. Logo, o que antes era uma recomendação de valorização das soft skills (competências comportamentais) agora é uma demanda inadiável e talvez um incêndio a ser apagado. Afinal, já se sabe que as hard skills (competências técnicas) são mais facilmente desenvolvidas, do que as primeiras.
Então, o currículo abre as portas do mercado de trabalho, já que traz formação e experiência. Todavia, é o repertório comportamental, ou seja, a disponibilidade e interesse para as entregas das mais diversas ordens, que mantém o profissional em seus trabalhos, seja pelo viés do relacionamento interpessoal, da comunicação, da inovação e até mesmo da maturidade emocional.
É uma mudança de paradigma, que demanda que o ambiente organizacional seja um espaço efetivo de desenvolvimento. É necessário o fortalecimento da cultura organizacional no sentido de valorização da formação integral das pessoas e um passo importante nesse aspecto é o desenvolvimento dos líderes como formadores, o que nunca fez tanto sentido.
Se esse é o dever de casa das empresas, não podemos nos esquecer das tarefas dos próprios profissionais. Nenhuma carreira se consolida atualmente se não houver também desenvolvimento intra e interpessoal. Flexibilidade, adaptabilidade, autoconhecimento, inteligência emocional e conexão humana são potencialidades de todo profissional e devem ser uma busca constante. Fica a dica.


