Por Brunella Tristão Simonelli
O índice de profissionais que pretendem fazer uma transição de carreira atualmente chega a 36%, segundo dados da consultoria Robert Half.
Os motivos vão desde a busca por melhores salários e mais flexibilidade, às necessidades motivacionais de realização pessoal e profissional, qualidade de vida e desenvolvimento de novas habilidades. Há, ainda, a influência das variações e transformações do mercado de trabalho, o que inclui o fato de algumas atividades se tornarem obsoletas, ao passo que outras surgem.
Os acontecimentos que marcam essa decisão podem ser sutis, como por exemplo, quando o profissional tem várias pessoas à sua volta reconhecendo nele habilidades e competências que podem ser rentáveis ou o desejo genuíno de realizar uma atividade por mera satisfação pessoal, pelo menos inicialmente. Podem, contudo, ser drásticos e até mesmo traumáticos como uma demissão considerada injusta, a falência de um empregador ou uma dificuldade do mercado de trabalho.
A transição em si, por vezes, é discreta. Há diversos casos em que o profissional busca uma nova especialização dentro de uma mesma área de formação, geralmente, impulsionado pela percepção de novas possibilidades. É o caso de um advogado empresarial, que deseja se tornar especialista em direito digital.
Algumas, todavia, incluem uma mudança radical. Lembro-me de um processo de orientação profissional em que uma advogada concursada como Agente Socioeducativa optou por fazer medicina e fez.
Uma alternativa a muitos profissionais é iniciarem a transição com uma dupla carreira: mantêm o emprego ou o empreendimento e experenciam a nova possibilidade em paralelo, com uma extensão da jornada de trabalho.
Aos poucos sentem o mercado, percebem-se na nova atuação e avaliam a viabilidade da transição, desde os aspectos financeiros aos emocionais envolvidos.
Mas, o que é recomendado para uma transição mais segura e assertiva, principalmente, nos casos em que o desejo de mudança existe, entretanto, nenhuma direção foi ainda vislumbrada?
De fato, é um processo que exige planejamento e um autoconhecimento, que muitas vezes não foi fortalecido, o que inclui a análise dos motivos que levaram a essa decisão, ou seja, o porquê da insatisfação.
Todo profissional, sobretudo, os que buscam uma transição de carreira, precisam desenvolver o conhecimento sobre suas afinidades, habilidades, propósito de vida, necessidades motivacionais, interesses e conhecimento sobre a realidade profissional.
Equivocadamente, muitos imaginam que esse processo é válido apenas aos jovens que iniciarão uma graduação, mas não; é imprescindível, também, em casos de transição, já que o mapeamento dessas características traz maior segurança e aumentam as chances de realização, por possibilitarem maior interseção com as oportunidades do mercado de trabalho, tanto para os que querem empreender, quanto para os que buscam um emprego formal.
Não há nada de errado em perceber que a carreira precisa de uma transformação. As escolhas não precisam ser para sempre, nem na vida pessoal, nem na profissão. O erro está em achar que só podemos escolher uma vez, como se coubéssemos apenas em um espaço único e definitivo.
Se uma insatisfação já reduziu o seu pulsar e a sua vibração por anos, não há nada que justifique a sua permanência ao longo dos que estão por vir. Pense nisso!


