Por Brunella Tristão Simonelli
Pois bem; a geração mais triste da história está nas escolas, segundo dados divulgados no último dia 25 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), após entrevistar 118.099 mil adolescentes de 4.167 escolas públicas e privadas de todo o Brasil em 2024. Sugiro que você acompanhe os dados que trago aqui também na fonte, que é a Revista Focus Brasil*.
Os indicadores mais preocupantes, consideravelmente mais altos, são:
- 73% se sentem tristes de forma constante;
- 67,6% ficam irritados ou nervosos por qualquer razão;
- 62% não veem sentido na vida;
- 69,2% já sofreram bullying.
Três em cada dez estudantes de 13 a 17 anos afirmaram que se sentem tristes sempre ou na maioria das vezes, de acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSe) e uma proporção semelhante também revelou que já teve vontade de se machucar de propósito. A partir da amostra, o IBGE calculou que cerca de 100 mil estudantes brasileiros tiveram alguma lesão autoprovocada nos 12 meses anteriores à pesquisa. Parte superior do formulário
26,1% dos estudantes disseram sentir constantemente que “ninguém se preocupa” com eles. Para um terço dos alunos os pais ou responsáveis não entendem seus problemas e preocupações e, de acordo com 20%, houve agressão física pelo pai, mãe ou responsável, pelo menos uma vez, nos 12 meses anteriores à pesquisa.
Em todos os indicadores os resultados entre as meninas foram mais preocupantes. O nível de satisfação com a própria imagem corporal caiu para todos os estudantes desde a última edição da pesquisa, em 2019, de 66,5% para 58%, mas a situação é pior entre as alunas. Mais de um terço delas se sente insatisfeita com a própria aparência, contra menos de um quinto dos meninos.
Isso demostra o que a pressão histórica e cultural sobre as mulheres e seus corpos traz de efeito sobre a saúde mental.
A NR-1 propõe que o adoecimento mental seja prevenido nas empresas, por meio da identificação dos fatores de risco, com o foco na organização do trabalho e mesmo assim a realidade ainda é de resistência. O que vemos com esses dados é que as famílias também precisam estar mais bem preparadas para lidar com os seus filhos e as escolas idem.
Dois terços dos estudantes estão completamente desassistidos e contam com uma diferença significativa no suporte oferecido pelas escolas privadas e públicas. 58,2% das privadas contam com suporte psicológico ao passo que apenas 45,8% das públicas têm esse apoio.
Já passou da hora de recalcularmos a rota. O caminho que estamos seguindo não está legal e o que estamos encontrando não é saudável. Já há algum tempo a saúde mental vem ganhando lugar de destaque, mas muito se fala em seus efeitos e pouco se fala em sua promoção. Já temos esse cenário aterrorizante como frutos; agora imagine o que ainda vamos colher se nada mudar.
*https://fpabramo.org.br/ibge-alerta-para-quadro-preocupante-na-saude-mental-de-adolescentes/


