Por Brunella Tristão Simonelli
Nos dias 10 e 11 de junho aconteceu o R&S Summit 2025. Em uma das apresentações, Rodrigo Sahd, CEO da The Foursales Company*, falou sobre um tema que todo mundo de R&S precisa entender: “Por que está tão difícil recrutar no Brasil e o que esperar daqui para frente?”
Em sua valiosa contribuição citou 4 justificativas principais**. Apresentarei duas delas: a redução do número de pessoas disponíveis; e a alta rotatividade estrutural.
A taxa média de desocupação no Brasil em 2025 fechou em 5,6%, o menor nível da série histórica da PNAD Contínua iniciada em 2012. Esse resultado foi impulsionado pelo recorde de 103 milhões de pessoas ocupadas no país. Com isso, vivemos a maior dificuldade em recrutar da história.
Além disso, há uma dispersão geral dos profissionais disponíveis. O contingente de trabalhadores por aplicativos (gig economy) no Brasil cresceu 25,4%, passando de 1,3 milhão em 2022 para quase 1,7 milhão em 2024, segundo o módulo de plataformas digitais da PNAD Contínua do IBGE. O setor passou a representar 1,9% da população ocupada do setor privado. Essa é uma realidade que cresce 12% ao ano.
Na década de 1960, as famílias tinham, em média, 6,28 filhos. Os nascidos nessa época representam hoje cerca de 1 milhão de aposentados/ano, somados aos 200 mil falecimentos anuais, ou seja, saem do mercado de trabalho anualmente, 1,2 milhão de pessoas.
Em 2008, as famílias tinham, em média, 1,9 filhos. Hoje, há cerca de 2,9 milhões de pessoas com 18 anos, mas apenas 1,4 milhão ingressam anualmente no mercado de trabalho.
Se 1,2 milhão de pessoas saem do mercado de trabalho, por aposentadoria ou falecimento e 1,4 milhão de jovens ingressam, temos um saldo de 200 mil novos trabalhadores por ano. Ótimo, não? Seria, se a nossa necessidade não fosse de 3 milhões de novos profissionais/ano.
A rotatividade elevada torna o cenário ainda mais desafiador. Em fevereiro de 2020 tínhamos uma rotatividade total de 25%: 26% entre a geração Z, com os profissionais de até 29 anos; 22% entre os profissionais de 18 a 24 anos; e 30% entre os profissionais de até 17 anos.
Em fevereiro de 2025 a rotatividade havia disparado entre todas as faixas etárias, torando-se de: 40% na geração Z, 41% entre os profissionais de 18 a 24 anos e de 42% entre os de até 17 anos. Isso representa uma variação total de 44%. Recrutar tornou-se um eterno “enxugar gelo”.
Em síntese, a conta não fecha. Temos cada vez menos pessoas disponíveis; cada vez mais empresas disputando; e a rotatividade é crescente. O resultado é essa dificuldade elevada. A pergunta agora é: esse cenário se mantém?
De acordo com as perspectivas apresentadas por Rodrigo para 2026-2027, a dificuldade se manterá alta, com uma possível pequena variação, para mais ou para menos. Então, por exemplo, se aumentar fortemente o ritmo de crescimento do país, a dificuldade aumentará proporcionalmente.
Rodrigo Sahd, finaliza com uma mensagem decisiva: “nos próximos anos, não vencerão as empresas que tiverem o melhor produto, a melhor estratégia ou o melhor marketing. Vencerão as empresas que conseguirem montar times melhores que seus concorrentes de forma consistente.”
O poder de escolha está com os profissionais; são as empresas que precisam atraí-los e criar estratégias de engajamento e permanência.
*https://www.foursales-company.com/
**https://www.youtube.com/watch?v=t1DZlNr45Zc


