1º de maio: o que realmente querem os trabalhadores diante das transformações do mercado?

Por Brunella Tristão Simonelli

As transformações pelas quais passam o mercado de trabalho são inegáveis e visíveis. Além disso, são estruturais e não pontuais e por esse motivo as tentativas de explicá-las não podem ser superficiais.

Na superficialidade estão, por exemplo, os discursos de que a Geração Z não que trabalhar. Essa visão limitada tem até uma justificativa: os nativos digitais nascidos, predominantemente, entre 1997 e 2012, permanecem menos tempo em seus trabalhos.

É fato, mas para sairmos da superficialidade precisamos compreender os seus motivos.

38% dizem que buscam melhores oportunidades;

34% relatam que não se sentem reconhecidos;

28% saem por questões éticas ou de saúde mental.

Esses pontos se sobrepõem às questões salariais, por exemplo, já que envolvem dignidade e saúde mental.

Por outro lado, o desemprego entre os jovens caiu para 11%, ou seja, eles estão, sim, entrando no mercado de trabalho. Então, devemos deixar de questionar se eles querem ou não trabalhar para sermos mais estratégicos compreendendo que tipo de trabalho sobra para o jovem e qual eles almejam. Muitos se inserem na informalidade, na pejotização, com jornadas excessivas. A precarização do trabalho, que existe em alguns casos, vai no sentido oposto à longa permanência tão almejada pelas organizações.

Agora vamos para outro público: as mulheres em posição de liderança. Nesses casos, a superficialidade do discurso infundado gira em torno de uma possível dificuldade feminina em dar conta da pressão do trabalho, muitas vezes, porque já administra a pressão e as demandas familiares.

Pois bem, a Revista Business de abril trouxe como tema o burnout na liderança feminina. A reportagem apresentou o alarmante cenário de 66% das executivas relatando vivenciarem a síndrome, segundo dados da Telavita de 2025, ao mesmo tempo em que 42% delas apresentam os sintomas. O resultado é o aumento do turnover, redução da produtividade e a tomada de decisões sob estresse.

Percebam que nos dois públicos, embora tão distintos, há aumento da rotatividade e em comum, questões estruturais do trabalho, que impactam negativamente na saúde mental desses trabalhadores e trabalhadoras.

Portanto, qualquer tentativa de justificar um cenário sem uma análise estrutural será falha e só adiará por parte das organizações a tomada de medidas efetivas que ataquem e resolvam o problema e não as impressões que se tem sobre determinado contexto.

Eu falei de dois públicos apenas e sem esgotar todas as questões envolvidas. Entretanto, vale ressaltar que o que as trabalhadoras e os trabalhadores almejam, no fundo no fundo, é terem a sua dignidade respeitada.

Dignidade é a felicitação mais almejada por toda pessoa inserida no mercado de trabalho, sobretudo, no dia de hoje. O discurso só traz palavras; as transformações vêm das ações. Então, estejamos do lado certo.

brunella@talentorh.net

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