Por Brunella Tristão Simonelli
Os processos seletivos mudaram, simplesmente porque o mundo mudou e a utilização da Inteligência Artificial (IA) aponta para novas perspectivas também em plataformas destinadas ao recrutamento.
Muitas dessas plataformas, além de solicitar o preenchimento de diversos campos de informação, também solicitam o currículo anexado. Nesse sentido o documento devidamente atualizado demostra capricho e comprometimento com a seleção em andamento. Não é raro que durante a entrevista os candidatos nos deem informações que não constam no documento e um pedido de desculpas por ele não ser uma versão recente.
É um novo momento e os recrutadores utilizarão, sim, as novas ferramentas disponíveis para aumentar a efetividade do processo, sobretudo, ganhando tempo e precisão com os novos recursos disponíveis.
As melhores vagas usam essas ferramentas e os candidatos atualizados a esses processos certamente farão bom uso delas do outro lado. Nesse sentido, uma dica valiosa é que o resumo das qualificações seja bem redigido, com termos-chave e uma síntese atrativa sobre o histórico profissional. Esse campo, que é lido pelo ATS (Sistema de Rastreamento de Candidatos) e um dos primeiros a serem lidos por recrutadores, costuma ter alto peso nos algoritmos de busca e permite consolidar palavras-chave estratégicas.
Mas o erro comum é escrever algo genérico, como, por exemplo: “profissional dedicado, proativo e com facilidade de aprender”. Isso não ranqueia bem e não diferencia ninguém. Funciona melhor incluir palavras-chave do cargo desejado, tecnologias, metodologias ou áreas de atuação e resultados mensuráveis. Por exemplo: “analista de RH com experiência em recrutamento e seleção, avaliação psicológica e implantação de pesquisa de clima. Atuação com alto volume de vagas, uso de ATS e condução de entrevistas por competências.”
Embora relevante e imprescindível, o resumo das qualificações não funciona sozinho, porque o algoritmo não lê só ele. Os sistemas de busca também analisam as experiências profissionais (nome dos cargos, descrição das atividades, ferramentas utilizadas); formação e certificações; habilidades (skills); e palavras repetidas (consistência).
Nesse sentido, os erros mais comuns são descrever atividades sem palavras-chave que são utilizadas pelo próprio mercado de trabalho; perfis incompletos; falta de padronização nos focos de cada experiência; e usar nomes de cargos criativos como “Encantador de Clientes” ao invés de “Atendente”.
Na prática, o candidato precisa pensar como quem está o procurando, não como quem está contando a própria história. Em outras palavras, é preciso pensar em quais palavras um recrutador digitaria para lhe encontrar.
Um modelo simples e eficaz de construção seria elaborar 3 blocos de informações: quem é você profissionalmente (cargo e área); as suas principais competências (palavras-chave) e o seu diferencial ou resultados já alcançados.
Você não precisa, como candidato, ser especialista em IA e sim demonstrar capacidade de síntese, organização das ideias e foco na forma como as ferramentas atuais fazem suas buscas.
Para mim, papel e organização de currículos em pastas, físicas ou virtuais, nunca mais. E tenha certeza que para a maioria dos recrutadores também não.
E você, é um candidato do passado ou do presente e futuro?


