O que a convocação dos jogadores para a Seleção na Copa nos ensina

Por Brunella Tristão Simonelli

Saiu a lista dos convocados para a Seleção Brasileira na Copa de 2026.

Carlo Ancelotti, técnico da seleção brasileira de futebol masculino, em entrevista ao Jornal Nacional* no dia 18 de maio, foi questionado sobre a forma como equilibra os talentos individuais dos craques com suas participações no desempenho coletivo do time. Respondeu destacando que o talento é importante para o futebol moderno e lembrou a quantidade deles no Brasil, mas que o potencial individual precisa vir combinado com compromisso, com boas atitudes com o coletivo e com a concentração.

Destacou, também, que tem dado essa orientação acerca do coletivo desde que chegou ao país, já que é a seleção brasileira que irá ganhar ou perder o mundial e que essa grande responsabilidade não tem que ser dada apenas a um jogador.

Em sua fala lembra que não existe time perfeito e que é preciso competir e ter resiliência, contando com o apoio dos companheiros de time.

O seu discurso destaca, portanto, algo que discutimos e incentivamos com frequência na lógica da empregabilidade: o trabalho em equipe. Talentos individuais agregam, somam a um desempenho que, na prática, é coletivo. As potencialidades de cada um devem ser organizadas de forma complementar, em um arranjo que permita a utilização de cada diferencial ao máximo. É como se a organização do todo fosse a melhor configuração possível para que os talentos individuais pudessem emergir.

Além disso, fica subentendido em seu discurso, que o talento individual não se sobrepõe ao compromisso que se deve ter com o coletivo e com as normas, como as de concentração, por exemplo. Em outras palavras, as potencialidades individuais seguem uma lógica de organização que vale para todos e que são imprescindíveis para a manutenção da coletividade.

Ao ser questionado sobre a tranquilidade, uma marca reconhecida em sua liderança, destaca que essa é uma característica individual, sim, mas faz questão de lembrar que é imperativo em sua prática, utilizá-la ao se dirigir aos membros do time. Quando o faz não fala com um jogador e sim com uma pessoa que joga futebol. Em outras palavras, o fato de se dirigir a um ser humano é anterior à atuação ou a função ocupada por ele.

Essa observação demonstra uma importante característica requerida pela liderança: a humanidade. Tal qual ocorre nas demais relações profissionais, antes de termos um trabalhador, temos uma pessoa e o respeito à dignidade deve ser preservado sempre.

Em suma, os times têm muito a ensinar às equipes de uma organização do trabalho: o que fazer e o que não fazer. De igual modo, os técnicos têm muito a inspirar aos líderes: muitas vezes não é sobre técnica e sim sobre humanidade, integração e respeito ao coletivo.

Que nossos talentos individuais se integrem em algo muito maior: a seleção brasileira, com a certeza de que o todo é maior que a soma de suas partes. Que a sinergia surja e que o hexa venha!

brunella@talentorh.net

*https://globoplay.globo.com/v/14624397/

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