Por Brunella Tristão Simonelli
A seleção brasileira foi eliminada nas oitavas de final após perder de 2 x 1 para a Noruega. Uma camisa de peso, a única seleção pentacampeã do mundo, diversos talentos individuais e uma derrota precoce demais para a sua história.
Afinal, o que esse resultado nos ensina?
Primeiramente, que o favoritismo é uma ideia, uma concepção, que é insuficiente para vencer um campeonato. Além disso, nenhuma seleção pode ser subestimada, uma vez que um jogo é feito de oportunidades, que se forem mais bem aproveitadas podem compensar uma eventual menor qualidade técnica.
Um segundo ponto é que o resultado esperado, por vezes, pode não chegar mesmo quando há extrema dedicação e garra. Vimos isso com o desempenho da seleção de Cabo Verde contra a nossa rival Argentina.
A seleção Cabo-Verdiana surpreendeu aos amantes do esporte. Quanta garra! Mesmo assim, o resultado não foi favorável. E é aqui que entra um ponto de desenvolvimento decisivo: a resistência à frustração.
Fazer o melhor que se pode traz honra, dignidade e reconhecimento, entretanto, a disputa conta com adversidades, que não podem ser ignoradas.
Em tempos de valorização de uma dedicação sem limites, de sobrecarga e da resiliência, quem nos prepara para continuar diante de um resultado que se busca com afinco, mas que não chega?
Vencer, acertar, conquistar requerem organização, método, consistência, preparo e estratégia, inclusive, para recomeçar e seguir em frente, seja no esporte, seja na vida.
Essa coisa de “levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima” requer maturidade emocional, sobretudo, resistência à frustração, desenvolvidas desde a infância.
Na prática vemos crianças sendo criadas sem atrito. Nada pode incomodar ou trazer desconforto. Os caminhos são facilitados, os obstáculos são assumidos pelos pais, as dificuldades são ignoradas e as responsabilidades são terceirizadas. A escola erra, o vizinho erra, o treinador erra, o cônjuge erra, menos a própria criança.
A educação por vezes se transforma em uma bolha que isenta o sujeito de vivenciar o mundo real. E quando ele cresce, e até mesmo ingressa no mercado de trabalho, essa realidade – a única que ele conheceu – se perpetua. Não tem como ser diferente. A empresa cobra demais, o líder é duro e rígido, os colegas não cooperam e a não promoção foi injusta.
Em contrapartida, as histórias de sucesso daquelas pessoas que admiramos estão repletas de fracassos: queda, reorientação, recomeço e consistência. Não vence quem menos cai; vence quem mais se levanta.
Nenhuma superproteção muda a realidade da vida e é isso que uma educação emancipadora precisa ensinar: cair e levantar. A resistência à frustração faz toda a diferença diante do que é real.
Vale para nós; vale para a seleção. Aprender com os erros é uma importante competência. E se tem algo que os pais devem ensinar aos filhos é isso: a frustração faz parte da vida.


