Por Brunella Tristão Simonelli
“Ele é de extrema confiança; por isso foi promovido a líder.” “Colaboradores questionadores e ávidos por mudanças sempre me incomodaram. Afinal, para que mudar o que vem dando certo?” “Valorizo pessoas que pensam e agem como eu. Esses permanecem na empresa por muito tempo; alguns já passaram de 20 anos.”
Essas são frases frequentemente usadas por gestores, que vivem um cenário confortável, pelo menos em relação aos seus subordinados diretos: estabilidade, fidelidade e confiança. Mas, será que esse é o melhor cenário para a organização como um todo?
Um ótimo gerente na visão do proprietário de uma empresa é também um excelente líder na visão de seus subordinados? Dia desses, em consultoria, me deparei exatamente com esse exemplo. A empresa conta com um líder que atua ali há 30 anos e sempre demonstrou dificuldades, especialmente, de relacionamento interpessoal. Na visão do gestor, mesmo com seu “gênio difícil”, ele trouxe inúmeros ganhos com a sua visão de dono, no que se refere à redução de perdas e à manutenção da ordem a qualquer custo. Por outro lado, várias pessoas, e provavelmente grandes talentos, se desligaram da empresa justamente devido ao tratamento recebido por parte desse líder e ao engessamento da cultura organizacional. A pergunta é: será que valeu à pena?
Pessoas confiáveis são virtuosas. Esperamos delas essa característica. Tal virtude, contudo, não faz de um profissional um líder, assim como a competência técnica não é suficiente para direcionar um time. A liderança exige habilidades de relacionamento, comunicação clara, assertiva e, principalmente, um perfil que promova o conhecimento, a mudança e alcance o desenvolvimento por parte dos liderados.
Além disso, um líder precisa estar disponível a ser questionado, na certeza de que uma escuta ativa coloca as suas decisões em análise e abre espaço para novas possibilidades, já que o mundo veloz que vivenciamos requer mudanças.
A homogeneidade de pensamento e a valorização de um ambiente pouco questionador pode trazer um grande prejuízo para as organizações, sobretudo, em médio e longo prazos. Ao que tudo indica, esse cenário tem sido mantido, por mero conforto, às custas de um ambiente pesado e ultrapassado.
Então, gestor, eu lhe faço um convite: promova a escuta em sua organização. Transforme-se para transformar! Não permita que um profissional se mantenha em uma posição de liderança, simplesmente por ser confiável. Afinal, não é preciso abrir mão da competência gerencial para ter a credibilidade em uma pessoa. Essas características podem e devem aparecer juntas.


