Líder, assim como no futebol, chame o VAR.

Por Brunella Tristão Simonelli

Em tempos de Copa do Mundo ouviremos muito essa frase: “chame o VAR.”

O Árbitro Assistente de Vídeo (VAR) refere-se à equipe de arbitragem que acompanha a partida através de monitores com o objetivo de ajudar o juiz principal a tomar decisões mais justas em lances duvidosos.

Seria fenomenal se os líderes em sua atuação tivessem assistentes que o ajudassem a manter a equidade e a justiça em suas decisões, não é mesmo?

No futebol, o VAR não substitui o árbitro. Ao invés disso, ele oferece mais dados, ângulos e critérios para reduzir erros e aumentar a justiça das decisões. Nas empresas, acontece algo parecido: o líder continua sendo o responsável pela decisão, mas algumas ferramentas de gestão de pessoas trazem evidências, critérios e transparência para ações mais equilibradas.

A avaliação de desempenho, por exemplo, fornece indicadores bem desenhados com base em metas, competências e comportamentos observáveis e não apenas em impressões pessoais.

As decisões sobre pessoas ficam mais justas quando o feedback é frequente e documentado e não apenas fornecido após uma avaliação anual. Os líderes podem adotar contratos de desempenho de prazos mais curtos, que tornem as reuniões one-on-one mais frequentes. O acompanhamento dos talentos se transforma, então, em prática.

A pesquisa de clima coleta a percepção dos colaboradores sobre o ambiente de uma maneira segura e estruturada. É eficaz, por exemplo, ao identificar visões de favoritismo, sobrecarga, falta de reconhecimento ou conflitos.

A avaliação 360º reúne percepções de subordinados, pares, superiores e, às vezes, até clientes internos. É como ter uma própria equipe de arbitragem que evita que o líder se baseie apenas na própria percepção sobre o time.

Esses são apenas alguns exemplos. Assim como o VAR não elimina todas as possíveis decisões equivocadas do futebol, nenhuma ferramenta de gestão de pessoas sozinha garante um posicionamento de justiça e equidade por parte do líder. Há redução de vieses pessoais, ampliação no fornecimento de dados e de informações e maior transparência. A decisão final, entretanto, ainda depende de ética, escuta ativa, conhecimento técnico, autoconhecimento, autorresponsabilidade por parte do líder. Enxergar a realidade passa a ser uma escolha.

No futebol as decisões equivocadas e injustas mudam os rumos de uma partida e até de uma Copa. Nas organizações, por sua vez, compromete carreiras, reputação da empresa, clima, atração e retenção de pessoas e dificultam o sentimento de pertencimento.

Sendo assim, líderes que decidem com base em impressões pessoais erram mais. Por outro lado, os que se baseiam em dados, escuta e critérios bem definidos aumentam a confiança da equipe, fortalecem a cultura organizacional e contribuem para uma reputação positiva na comunidade.

E você, líder: chama o VAR, ou não?

brunella@talentorh.net

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