Por Brunella Tristão Simonelli
Aproveitando as comemorações do Dia dos Pais, pergunto: você já percebeu o quanto a paternidade e a liderança estão relacionadas?
O pai oferece suporte ao desenvolvimento da criança. Ele orienta e guia até que o filho aprenda o que quer que seja e sinta segurança para agir sozinho. Os primeiros passos, o andar de bicicleta e o superar dificuldades, vêm com treinamento, apoio e incentivo paternos. A confiança nasce primeiro no pai para só depois se desenvolver no filho.
Além disso, a paternidade implica em investir afetivamente nessa relação. Esperamos, portanto, que nela haja responsabilidade afetiva.
Toda vez que penso no meu pai, lembro-me dele cantando para mim: “…o coisinha tão bonitinha do pai. Você vale ouro todo o meu tesouro…” E como é decisivo para os filhos saberem que valem muito para alguém, não é mesmo? Traz segurança, autoestima, coragem e determinação. O sujeito vai se constituindo de acordo com o que percebe que representa para o outro. O papel paterno, portanto, potencializa a vida dos filhos.
Ora, na liderança o processo é muito similar. Além de um papel de autoridade, tal qual o pai, o líder efetivo assume, necessariamente, o papel de formador de pessoas. Nessa relação existe o desafio de desenvolver aqueles que trazem histórias e vivências muito distintas, que se cruzam em uma fase posterior do desenvolvimento e que já tiveram tantas outras referências.
Steve Jobs, co-fundador da Apple, sempre percebeu essa similaridade de papéis. Além de fonte de inspiração e de aprendizado contínuo, a paternidade para Jobs era, necessariamente, alimentada pela paixão, a mesma que motivava a criação de produtos inovadores e revolucionários.
Ademais, Steve Jobs tinha uma visão diferenciada do que deveria ser a identidade de uma empresa. Para ele a organização tinha que, antes de tudo, criar um legado significativo para os consumidores e para a sociedade. Sua visão de gestão, portanto, diferenciaria a Apple de uma empresa focada apenas em eficiência, perdas e lucro.
A inspiração e a influência da paternidade consolidaram-se de forma perene na cultura da Apple, importante exemplo para empresas do mundo inteiro e aqui temos mais um exemplo de similaridade entre os temas. Tanto a constituição da personalidade dos sujeitos, quanto a constituição da identidade e da cultura de uma empresa eternizam a influência, de pais e de líderes, respectivamente, mesmo quando essa relação física não se faz mais presente.
Então, pais e líderes devem se inspirar no legado que querem deixar para a posteridade, ao criarem seus filhos e ao gerenciarem uma organização.
Agora uma observação importante: paternidade e liderança são papéis opcionais. Às vezes, acontece de esses papéis surgirem antes do desejo. O que importa é ter a ciência de que, tanto os pais, quanto os líderes podem evoluir na maneira de vivenciá-los, tendo optado por eles ou não. Acreditar no desenvolvimento – no próprio e no de outros – é o primeiro passo para um exercício pleno desses papeis. Afinal de contas, quem não acredita que pessoas podem se desenvolver falhará como pai e como líder. Quer similaridade mais consistente do que essa?
Em tempo, desejo que o exercício da liderança seja leve e fértil no que se refere aos talentos desenvolvidos e que o Dia dos Pais seja vivenciado com muito afeto e reflexão sobre os filhos que estão sendo deixados como legado para o mundo.
Feliz Dia dos Pais aos que são, aos que serão, aos que se tornaram pais dos seus e aos que sentem saudade. Seu pai pode estar ausente, mas o seu legado permanece em você, que como eu, continua sendo um tesouro que vale ouro.
brunella@talentorh.net


