Uma orientação aos que querem se diferenciar em uma entrevista de emprego

Por Brunella Tristão Simonelli

“Minha qualidade é ser proativo e meu maior defeito é ser perfeccionista”. Ouço muito essa frase durante as entrevistas, talvez até mais do que a “meu objetivo é crescer profissionalmente e ajudar a empresa a crescer também”.

Mas, o que há de errado com elas? Se você me der um exemplo claro de uma situação em que foi proativo, demonstrando que compreende realmente o significado da palavra, se me disser como ser perfeccionista lhe atrapalha e relatar ações específicas do que tem feito para crescer profissionalmente, não haverá nada de errado com essas frases.

Acho que você já compreendeu aonde quero chegar. São várias frases clichês que ouvimos nas entrevistas; as que citei são as mais frequentes. O que quero que você perceba é que se muitos candidatos as utilizam, você não se diferenciará deles dizendo a mesma coisa e, por mais que elas sejam verdadeiras para você, a forma que deverá apresentá-las precisa ser diferente.

Na fase inicial de uma seleção, o entrevistador focará no histórico acadêmico e profissional. Isso quer dizer, que ele espera que o candidato saiba apresentar o nível de sua formação acadêmica, diferenciando os cursos que são complementares, técnicos, tecnólogos, de graduação ou pós. Além disso, que ele tenha prontidão ao citar, minimamente, as três últimas atuações: empresas, tempo de permanência em cada uma, cargos ocupados e motivos pelos quais saiu. Portanto, revise esses dados antes de qualquer entrevista.

A maior parte das entrevistas em etapas mais avançadas investigará as competências exigidas para a respectiva função. Nessa fase o entrevistador fará perguntas abertas, específicas e relacionadas com as características investigadas.

Por exemplo, se a proatividade for uma competência a ser investigada o entrevistador pode pedir que você “conte uma situação em que conseguiu perceber um erro ou risco antecipadamente e o que fez para evitá-lo”. Essa questão expõe claramente que ele espera que você relate uma situação em que preveniu ou evitou algum problema, atitude clássica em casos de proatividade.

Ele lhe informará que as suas respostas deverão ser no formato CAR (contexto, ação e resultado). Sendo assim, você deverá explicar a situação em que se encontrava, a ação adotada por você nesse contexto específico e o resultado alcançado.

Mais ainda; cada característica exigida pelo cargo será investigada mais de uma vez e em questões distintas, já que o entrevistador buscará avaliar a consistência dessa competência em seu repertório comportamental. Logo, será muito difícil manter a coerência do discurso se as respostas não se basearem em atitudes que foram de fato tomadas.

Essa observação não é para alarmá-lo e sim para que você se prepare melhor para uma entrevista. Então, se quer se sentir mais seguro para esse momento, liste os comportamentos já adotados por você, que de fato exemplificam as competências mais requisitadas no mercado de trabalho: proatividade, trabalho em equipe, determinação, foco no cliente, liderança, tolerância à pressão, organização, comunicação, busca de informações e flexibilidade são alguns exemplos.

Por último uma observação importante: esse modelo de entrevista também se aplica a quem procura o primeiro emprego. Nesse caso, contudo, os exemplos deverão envolver outros contextos da vida, já que a experiência profissional ainda não se deu. O entrevistador aceitará respostas oriundas da vida familiar, escolar, em atividades voluntárias, religiosas, esportivas e sociais das mais diversas ordens. Nada mais justo, não é mesmo? Afinal, quando a competência faz parte do repertório comportamental, ela poderá ser replicada em outros cenários.

Eu canso de dizer e repito: fuja de respostas prontas e clichês. Foque em suas competências, apresentando-as por meio de resultados que já foram obtidos por você. Os resultados guardam o seu verdadeiro diferencial!

brunella@talentorh.net

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