O emprego pode ser passageiro; a carreira é para sempre

Por Brunella Tristão Simonelli

Dizem que se conselho fosse bom a gente venderia. Portanto, o meu objetivo hoje será trazer algumas reflexões após viver mais um ano imersa na complexidade do trabalho na vida das pessoas e das organizações.

Primeiramente, então, vamos diferenciar trabalho e emprego. O trabalho consiste nas atividades realizadas por uma pessoa para atingir determinado objetivo. Há uma diversidade de possibilidades na forma de realizá-lo: empreendendo, de forma autônoma, como profissional liberal, como voluntário, sendo remunerado ou não.

O emprego, por sua vez, é a celebração de um trabalho por meio de um contrato, que define direitos e deveres trabalhistas. Então, um profissional pode ter trabalho e não ter emprego se esse vínculo contratual não existir.

O fato é que na atualidade há muitas queixas e insatisfações em relação à vida profissional. Não acredito que no passado esses sentimentos não existissem, contudo, cada vez mais a pauta sobre qualidade de vida e saúde mental no trabalho ganha visibilidade e as discussões se tornam mais frequentes e impactantes nas decisões dos trabalhadores. 

Com o fim de ano chegando, certamente, você fará planos de transformação em sua vida, ouvirá outras pessoas fazendo também e é bem provável que o trabalho entre em análise.

Alguns vão querer melhorias; outros, uma transformação radical. Mas, o que fazer quando o cenário financeiro ou de oportunidades reais reduz a possibilidade de ousar?

Bem, não quero aqui incentivar uma postura de conformismo e de passividade frente às suas insatisfações que podem ser bem fundamentadas. Inclusive, talvez eu as sentisse como você, se estivesse em seu lugar. Entretanto, se analisarmos os empregos como um conjunto de lugares que nos possibilitam trabalhar, na medida em que nos empenhamos em diferentes projetos, podemos entendê-los como degraus importantes para o patamar pretendido em outro momento da vida.

O esforço tem que ser para avaliar as habilidades e as competências possíveis de serem desenvolvidas ali e que futuramente servirão como as condições necessárias para os seus próximos degraus. Claro; tudo isso dentro daquilo que cada um consegue suportar.

Essa mudança na forma de analisar o seu emprego e todo o desenvolvimento possível ao vivenciá-lo, pode fazer com que os próximos degraus sejam vencidos na mesma organização. Em outras palavras, o seu esforço, a sua entrega e o crescimento obtivo ali, quando bem avaliados e reconhecidos, podem lhe trazer um novo sentido dentro da mesma empresa.

Se essa possibilidade não se concretizar, todavia, será hora de buscar novos caminhos: outra organização ou um trabalho construído e planejado a seu modo. Nesse sentido, o que quero destacar é que, sim, o emprego pode ser passageiro, mas ele terá marcado a sua carreira, já que essa é para sempre.

Em outras palavras, toda a sua vivência em um emprego influenciará a sua carreira pelo resto da vida. Aqui inclui-se a visão que as pessoas têm sobre a sua entrega e competências, a reputação profissional que construiu, os desafios que suportou e venceu, as referências da qualidade do seu relacionamento e tudo mais que compuser a sua imagem e o seu perfil.

Então, mude a forma de perceber a sua atuação: não é simplesmente um contrato empregatício em uma empresa específica; é uma oportunidade de construir a imagem que almeja, portanto, uma experiência importante para a carreira que deseja construir.

Essa visão será decisiva, tanto para aqueles que buscam novos empregos, quanto para aqueles que querem ser donos do seu próprio trabalho. Lembre-se: o emprego pode ser passageiro; a carreira é para sempre.

brunella@talentorh.net

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