Como eu vou ser triste se em 2024 eu…

Por Brunella Tristão Simonelli

Você deve ter acompanhado nas redes sociais a recente trend “como eu vou ser triste se em 2024 eu…” e viu as pessoas celebrando dias especiais, viagens, a carreira, nascimentos na família ou sonhos antigos, o que é muito legal.

É muito importante celebrar as conquistas, por menores que sejam. Afinal, tamanho é apenas uma dimensão; importância é um significado atribuído por cada um de nós e só pode ser dimensionado por nossa subjetividade.

Eu costumo perguntar em minhas entrevistas de seleção sobre algo que as pessoas desejaram e já realizaram. Em disparado vem a conquista da casa própria. Também é muito comum relatarem sobre a constituição familiar, sobre uma graduação, um emprego, enfim.

Alguns falam de conquistas comuns a muitos, mas que nem todos atribuem mais a mesma relevância, como por exemplo: uma bicicleta, o celular, os móveis do quarto, um computador, o plano de saúde dos pais. São coisas que muitas pessoas têm, entretanto, só alguns conferem a importância de uma meta real atingida e com isso, um motivo para se sentir feliz.

Há também aqueles que respondem que nada conquistaram e me pergunto se as realizações, na verdade, não passaram despercebidas.

Nem de longe quero minimizar o entretenimento ou uma eventual leveza que as redes sociais podem trazer, mas quero lhe lembrar que ter um rol de coisas que o fizeram feliz em 2024 não é uma obrigação.

Você pode optar por não divulgar seus feitos e conquistas ou simplesmente não ter vivido um ano tão feliz assim, o que não quer dizer que a felicidade não seja para você.

Portanto, a reflexão que quero trazer é sobre o próprio conceito de felicidade ou de sucesso nos dias de hoje. O glamour, a grandiosidade, as produções luxuosas e os cliques perfeitos são atributos ou características de um contexto específico; não são, necessariamente, sinônimo de felicidade. O desejo e a positividade devem ser no sentido de que cada postagem dessa represente, verdadeiramente, um momento feliz, contudo, sabemos que nem sempre é assim.

Usar a régua do outro não serve para medir os seus dias felizes, tampouco, os de quem posta. Não ter algo instagramável para registrar, não quer dizer que a felicidade tenha passado longe de você. Idealizar as suas realizações pela vida das pessoas, lhe rouba de sua própria realidade e pode fazer com que você só se apegue àquilo que lhe falta.

O seu motivo para ter sido feliz em 2024, pode ter sido aquele convite aleatório para tomar um vinho “em conta” e comer uma batata feita na air fryer. Foi um dia em que pôde compartilhar seus dramas diários e reais, porque ali você foi ouvido de forma ativa e atenta. Você e sua “casca de bala” estavam tão conectados que nem lembraram de postar.

Pode ter sido aquele dia que assistiu de pé à cantata de Natal em que o amor da vida de pessoas muito especiais se apresentava e os olhos brilhantes daquela família querendo acompanhar cada movimento, lhe mostravam uma cumplicidade e uma alegria, que lhe fez grato por estar ali e poder fazer parte.

E se você não se sentiu feliz em 2024, seja postando impressões contrárias ou disfarçando angústias e tristezas, lembre-se que 2025, antes de tudo, lhe trará várias oportunidades de reconstrução e de ressignificação. O exercício agora é olhar para si e, como dizia Shakespeare, aprender que “não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que se pode ser.”

Alegro-me com a sua felicidade e respeito quem em sua introspecção não encontrou dias felizes ou aqueles que perderam o brilho após clicar, editar e compartilhar. 365 dias virão e depois desses, tantos outros.

2024 acaba e a vida? Ah, a vida continua. Que 2025 lhe traga reais motivos para se sentir feliz e perpetue a alegria daqueles que já a conquistaram.

brunella@talentorh.net

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