Por que muitas promoções acabam em frustração?

Por Brunella Tristão Simonelli

Era para ser tudo de bom, mas na prática muitas promoções geram frustrações para os profissionais, para as organizações ou para ambos.

Muitas empresas decidem promover um colaborador de forma unilateral. Isso se dá porque avaliam e consideram apenas os requisitos técnicos da nova função e negligenciam o perfil comportamental dos profissionais. Ocorre, ainda, de decidirem sobre o que seria uma ascensão importante na carreira do trabalhador sem negociar as novas exigências e expectativas ou sequer compreender o real interesse e afinidade daquela pessoa para as novas demandas.

Por outro lado, muitos colaboradores só consideram os aspectos positivos da promoção: a ascensão, o crescimento salarial ou o status do novo cargo. Há, contudo, vários outros pontos importantes: a aumento de responsabilidades, de expectativas, uma provável liderança que fará com que o desempenho do profissional seja avaliado pelo que ele consegue que a sua equipe alcance de resultados.

Nessa breve exposição, eu já demonstrei vários aspectos potenciais de desalinhamento do profissional à nova função. Obviamente, esses desafios não impedem que pessoas sejam promovidas, mas convoca os envolvidos a uma negociação e a um acordo diferentes dos que têm sido praticados.

Às empresas eu recomendo:

  • Avalie as expectativas em médio e longo prazos para o profissional que ocupar essa nova função;
  • Lembre-se que a oferta pode não ser a melhor escolha para o colaborador naquele momento, portanto, a autonomia dele é inegociável;
  • Considere que um excelente desempenho em uma função não é garantia absoluta de adequação a qualquer outro cargo;
  • Realize uma avaliação de potencial que compare o perfil do profissional com o da nova atividade, bem como, se você tem tempo, disposição e interesse em desenvolver os eventuais gaps.

Aos profissionais, por sua vez, sugiro que:

  • Desenvolvam o autoconhecimento e coloquem em uma balança os ganhos, as competências já desenvolvidas e os desafios e limitações pessoais e profissionais para o novo cargo. E acredite: não estar preparado no presente, não quer dizer que esse desenvolvimento não ocorrerá no futuro;
  • Não se engane; a sua rotina mudará. Avalie se essas transformações estão alinhadas aos seus valores e expectativas para a sua vida pessoal, familiar, acadêmica, sobretudo, para o seu estado de saúde física e mental;
  • Não entenda a promoção como uma obrigação. Justificar o seu momento, suas ansiedades e um eventual adiamento dessa ascensão é uma atitude honesta consigo e com o contratante. Se esse for o seu caso, prepare-se para se sentir mais seguro em uma próxima oportunidade;
  • No mais, se, ao contrário, o convite vier no momento certo para você que tem se preparado ao longo de sua jornada, aproveite. Afinal, não foi sorte; foi mérito e ele é seu.

Já disse aqui algumas vezes, que toda contratação é um risco; toda promoção, também. Com esses cuidados de ambas as partes reduzimos as frustrações e evitamos perder um bom profissional no presente e o futuro ocupante de uma função que não tenha sido bem planejada para ele e com ele. Tem como dar certo!

brunella@talentorh.net

Compartilhe no:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Confira também:

Por que você faz o que faz?

Por Brunella Tristão Simonelli O primeiro contato que todo ser humano teve com as profissões foi nas brincadeiras ainda quando criança. Brinquedos e travessuras para

Ler Mais »