Que empresa os profissionais querem contratar para as suas carreiras?

Por Brunella Tristão Simonelli

Parece um simples jogo de palavras, mas não é. Definitivamente, os trabalhadores selecionam as empresas onde querem trabalhar.

É por esse motivo que os processos seletivos precisam atrair e reter talentos, sobretudo, em regiões com diversidade econômica, com várias frentes setoriais. O profissional pode, por exemplo, decidir se afastar de um segmento tradicional do processo produtivo e se especializar em um setor emergente e promissor, no que se refere a produto, serviço ou tecnologia.

É hora de atentar para o benchmarking para obter um melhor entendimento sobre as expectativas dos trabalhadores. Afinal, em que tipo de empresa os profissionais desejam trabalhar?

E aqui vale expandir o olhar para além da política salarial e de benefícios. Claro, que o sistema de remuneração conta e para muitos profissionais é até mesmo decisivo, todavia, há vários fatores sendo levados em conta na hora de uma candidatura, seja de início ou de transição de carreira.

Jornada de trabalho, clima organizacional, visão que as empresas têm sobre as pessoas, políticas de gestão, ESG, posicionamento no mercado, por exemplo, são variáveis que podem levar trabalhadores a desejarem ou repelirem um contratante.

A análise da cultura organizacional ultrapassa o “quem somos” da identidade organizacional presente nos sites e nas redes sociais e se materializa por meio da busca por referências de trabalhadores ou ex-colaboradores de uma determinada organização.

Sim, as pessoas querem conhecer a opinião de quem trabalha ou já trabalhou ali, tal qual as empresas fazem buscando referências de ex-empregadores. Nesse sentido o que se quer conhecer é a identidade organizacional muito mais por sua reputação e pelo que dizem sobre a cultura organizacional aqueles que já fizeram parte, do que pela autodescrição que as empresas divulgam.

Atrair e reter pessoas nos dias de hoje é fazer a gestão da cultura organizacional. É preciso haver coerência entre teoria e prática.

E se você me perguntar qual é o aspecto da identidade mais valorizado atualmente, sem titubear, eu lhe digo que é a cultura do cuidado. As pessoas querem ser mais que um número de matrícula; elas querem pertencer e não adoecer em função da organização do trabalho.

É um novo tempo e talvez, nem tão novo assim. Quem compreender isso atrairá e reterá talentos. Quem resistir fará parte do que ironicamente chamo do “reclame aqui” dos empregadores.

Cada escolha, uma consequência, não é mesmo?

brunella@talentorh.net

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