Por Brunella Tristão Simonelli
Ela está sempre lá; em todo diagnóstico organizacional a comunicação aparece como um ponto sensível que requer desenvolvimento. Às vezes, no levantamento de necessidades realizado por uma consultoria; outras, como demanda de um gestor ou até mesmo como sugestão dos próprios profissionais, a comunicação requer melhorias em todos os níveis: individual, setorial e organizacional.
Evoluímos nas Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) e mesmo assim a transmissão de dados e sentido ainda é um gargalo. Se os recursos tecnológicos, incluindo hardware, software, redes e internet, utilizados para criar, processar, armazenar e transmitir informações são cada vez mais sofisticados, por qual motivo ainda há tantos ruídos, falhas e distorções nas mensagens?
O fato é que a comunicação envolve um aspecto interpessoal que é decisivo para a clareza e objetividade da transmissão de informações. Informar significa dar forma e esse processo é construído conjuntamente entre emissores e destinatários das mensagens.
Digo construção porque a clareza e a objetividade exigem disposição para adequar as mensagens aos ouvintes, para o acompanhamento e confirmação de entendimento de ambas as partes. Sendo assim, não basta simplesmente transmitir uma informação. Para que ela não seja distorcida ao longo do caminho é preciso acompanhá-la durante o seu trânsito.
Portanto, é importante destacar que a comunicação conta com um importante aspecto comportamental. Acompanhamento e feedback são aspectos imprescindíveis na comunicação, mas são antes de tudo aspectos comportamentais da interação humana que nenhuma TIC irá substituir ou tornar desnecessários.
Além disso, a comunicação requer o desenvolvimento de uma habilidade social e emocional de altíssimo nível: a assertividade. Ao contrário do que muitos pensam, assertividade (com 2 ss´s) não é sinônimo de capacidade de acerto (com c). A assertividade implica em comunicar pensamentos, sentimentos e crenças de maneira clara, honesta, direta e firme, respeitando a si mesmo e aos outros. É dizer sim, quando tem que dizer sim e dizer não, quando tem que dizer não.
Respondendo, então, ao título desse artigo, a comunicação organizacional requer constante aprimoramento, porque exige habilidades sociais e emocionais de mais alto nível. O seu viés não é apenas tecnológico e ferramental; é antes de tudo humano e construído a várias mãos.
Dessa forma, qualquer programa de desenvolvimento que se limite aos aspectos técnicos comunicacionais será insuficiente. Tanto a comunicação, como a liderança exigem o desenvolvimento intrapessoal, interpessoal e organizacional. Inserir aspectos comportamentais nos programas de desenvolvimento é uma necessidade e qualquer movimento diferente desse será um investimento parcial e pouco resolutivo. Evoluamos, mas como tem que ser: por completo!


