Por Brunella Tristão Simonelli
Se você me perguntar o que gestores e organizações devem priorizar em todas as suas decisões e ações, não pensarei duas vezes para lhe responder: a preservação da dignidade humana é inegociável.
E se por algum motivo, nem que seja por uma única vez, as escolhas distanciarem as pessoas da dignidade temos duas opções: ou quem decide não cabe naquela organização, ou aquela organização não cabe na carreira daquelas pessoas.
Humanidade e dignidade são indissociáveis. Nenhuma relação humana, nem mesmo as profissionais que envolvem muitos interesses pessoais, muitas vezes antagônicos, se mantém sem dignidade.
Esse desrespeito à dignidade acontece de formas sutis e veladas, muitas vezes acompanhado de discursos modernos e práticas aparentemente eficientes. Algumas formas bastante comuns e perigosamente normalizadas pelas quais empresas e lideranças têm violado esse princípio fundamental se dão pela cultura do esgotamento disfarçada de alta performance.
Empresas que exaltam quem “dá conta de tudo”, responde mensagens fora do horário ou abdica da vida pessoal em nome do resultado cria um ambiente onde o corpo e a mente são tratados como recursos descartáveis, que valerão o tempo em que se mantiverem úteis.
Além disso a comunicação desrespeitosa e os feedbacks humilhantes que ocorrem em comentários ácidos, ironias e comparações entre colegas corroem a autoestima e fazem o profissional se sentir inferior.
O desrespeito à dignidade também acontece quando há incoerência institucional, ou seja, quando a organização diverge entre teoria e prática, minando o sentimento de pertencimento e destruindo a confiança dos colaboradores.
Ignorar a vida real das pessoas é outra maneira de ferir a dignidade humana. A inflexibilidade em temas como home office, saúde mental, maternidade/paternidade ou luto revela que, muitas vezes, a organização enxerga o profissional apenas como um número de matrícula, não como uma pessoa.
Ademais, tolerar o assédio e a discriminação justificando a boa intenção e o comprometimento real com os resultados é antes de tudo uma violência. Quando a negligência e a omissão encontram a conveniência as pessoas adoecem.
Definitivamente, a produtividade que não vem acompanhada do respeito à dignidade não se sustenta. Ao contrário, passa a compor negativamente a identidade de uma organização e a repelir as pessoas e seus talentos.
Se em suas práticas os líderes se questionam como alinhar resultados e dignidade de forma sustentável, eles já entenderam tudo. Caso contrário, já sabem por onde devem começar.


