Maternidade e carreira: impactos e perspectivas de representatividade

Por Brunella Tristão Simonelli

Em clima do Dia das Mães lhe convido a acompanhar os dados a seguir.

De acordo com o blog Thing Eva*, a ocupação entre mães de crianças de até 3 anos é de 13% menor em comparação às que não têm filhos nessa idade. Além disso, quase metade das brasileiras são demitidas até 14 meses depois do retorno da licença maternidade.

Esse cenário faz parte de uma lógica que valoriza profissionais com mais tempo disponível e que sofre a influência da divisão sexual do trabalho, que responsabiliza as mulheres pelos afazeres domésticos e pelo cuidado.

O impacto recai diretamente na inserção e permanência das mulheres em seus empregos, devido, à sobrecarga da dupla jornada e aos preconceitos de gêneros a essa dinâmica associados.

Tais preconceitos atingem, inclusive, mulheres sem filhos, que podem ser vistas como futuras mães em potencial, o que se relaciona à expectativa de que mulheres que não são mães assumam uma responsabilidade maior, proporcional à maior disponibilidade. Inclusive, as mães chegam a receber 40% menos do que mulheres sem filhos e apenas 39% delas ocupam cargos gerenciais.

Dados do Banco Mundial mostram que o PIB global poderia ser, pelo menos, 20% maior, não fossem as práticas discriminatórias contra as mulheres no mercado de trabalho. Sabe-se que apenas 61% delas, em idade para trabalhar, estão no mercado de trabalho, contra 90% dos homens.

As mudanças para um mercado de trabalho mais igualitário requerem alguns passos:

– revisão dos processos seletivos e adaptações nos planos de carreira;

– redução do sexismo presente no trabalho de cuidado;

– auxílios relacionados aos cuidados com os filhos;

– equidade salarial entre homens e mulheres;

– jornadas flexíveis;

– apoio às mulheres em posições de liderança;

– combate ao assédio e violências de gênero.

A equidade de gênero requer de uma mudança cultural, tanto no aspecto organizacional, quanto social de forma mais ampla. Essa questão é urgente para a garantia da qualidade de vida das mulheres, para a independência financeira, fator imprescindível para afastá-las de situações de violência doméstica, por exemplo.

Os paradigmas historicamente estabelecidos ainda estão alicerçados em preconceitos, em ideias arraigadas, que olham mais para o gênero, do que para entrega e competências. Nesse sentido, as organizações têm sim um importante papel na desconstrução dessa lógica.

E a você, mãe, que seu trabalho seja um direito exercido, valorizado e transformador em sua vida e nas vidas dos que a cercam. Parabéns por sua resiliência, determinação e, claro, pelo Dia das Mães.

brunella@talentorh.net

* https://thinkeva.com.br/os-preconceitos-contra-a-maternidade-afetam-a-carreira-de-todas-as-mulheres/

#DiaDasMaes #Maternidade #MercadoDeTrabalho

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