Dos desafios da convivência ao combate à violência no trabalho: essa é a pauta mais importante da gestão de pessoas atualmente

Por Brunella Tristão Simonelli

O desenvolvimento de líderes e do próprio setor de gestão de pessoas nunca foi tão urgente.

As demandas de uma organização estão longe de se reduzirem à otimização do processo e ao atingimento de metas.

A tragédia ocorrida em uma indústria em São Bernardo do Campo, que resultou na morte de três trabalhadores e, posteriormente, do próprio autor do ataque, chocou o Brasil no último sábado. As investigações que apuram relatos de bullying ainda estão em andamento. Mas esse episódio nos traz toda a motivação para a atualização da Norma Regulamentadora 1 (NR-1): identificar, avaliar e gerenciar os fatores de risco psicossociais, entre eles, a discriminação, o assédio sexual, moral e todas as demais formas de violência.

É preciso ter um olhar atento para identificar esses perigos. Daí a importância de líderes e o próprio setor de gestão de pessoas serem permanentemente capacitados.

A violência e assédio no local de trabalho acontece muitas vezes de forma silenciosa e isso não quer dizer que seus efeitos não estejam sendo produzidos nos trabalhadores. Não externalizar logo de início é diferente de não se afetar.

Inicia-se, muitas vezes, por uma brincadeira ou um desentendimento aparentemente sem grandes efeitos, mas vai escalonando em sua proporção. Humilhar alguém em público; ridicularizar e colocar em evidência um erro ou um baixo desempenho; espalhar boatos; isolar um profissional da equipe; subestimar ou sobrecarregar um trabalhador; fazer piadas constantes sobre características pessoais, orientação sexual ou vida privada; ignorar opiniões de forma sistemática; usar o medo como ferramenta de gestão; e cobrar metas abusivas são práticas que configuram violência e assédio no trabalho.

O efeito é o rebaixamento da autoestima e da dignidade humana e um comprometimento importante da saúde do trabalhador e da percepção de se tratar de um ambiente seguro psicologicamente. Não há sentimento de pertencimento que resista a esse modo de funcionamento, que diz muito sobre a cultura organizacional.

Dados da Previdência Social, que registram um aumento de mais de 800% nos afastamentos por burnout em quatro anos (823 em 2021 para 7.595 em 2025), mostram a gravidade desse cenário.

Combater a violência e o assédio não é suficiente. A organização precisa prevenir que esses fatores de risco psicossociais se estabeleçam. Por isso é imprescindível a sensibilização dos trabalhadores por meio de palestras, treinamentos, escuta ativa e um canal de denúncia confiável. Os limites de conduta precisam ser claramente estabelecidos e o óbvio também precisa ser dito.

Não é brincadeira; não é frescura; não é “mimimi”. É violência, é assédio, é discriminação e precisamos combater essa prática e garantir um ambiente de trabalho seguro psicologicamente.

brunella@talentorh.net

Compartilhe no:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Confira também: