Por Brunella Tristão Simonelli
Ontem eu atualizei mais uma vez o sistema operacional do meu smartphone. Com isso vieram muitas atualizações também nos aplicativos que utilizo.
O nosso processo de comunicação também requer atualizações constantes. Sem nos atualizarmos no vocabulário, nos termos, no comportamento de abordagem, no sentido atribuído às coisas, não conseguimos estabelecer uma linha de entendimento com o outro.
A comunicação sempre foi um grande desafio. A organizacional, por exemplo, é uma queixa constante. Na prática, o que encontramos é uma grande resistência na adequação a um novo tempo, principalmente, quando pensamos na diversidade geracional.
Supor que o outro compreendeu o que pretendemos comunicar faz com que a confirmação do entendimento não aconteça. Do mesmo modo, fazer algo sem entender bem o que precisa ser feito, faz com que a entrega seja diferente da expectativa.
Por outro lado, esperar concordar com o modo que o outro se comporta, com a sua visão de mundo ou até mesmo esperar um nível de entendimento cognitivo próximo ao que apresentamos é improdutivo. Não estamos aqui para sermos parecidos. O chamado é para estabelecermos um viés de comunicação e de compreensão, que está comprometido com a causa, com o objetivo da mensagem, ao invés de estar alinhado com as nossas preferências e afinidades.
Isso quer dizer que se uma forma de comunicar algo não tem alcançado o resultado esperado é essa metodologia que precisa mudar.
Eu ouço com frequência queixas do tipo: “na minha época”; “antigamente”; “quando eu comecei”; “quando estive nessa posição, eu”. É sempre importante lembrar de onde se veio, o que já fez e como fez. Entretanto, é perda de tempo “brigar” com as mudanças que já estão postas.
A melhor metodologia de comunicação é aquela que transmite as informações com o mínimo de distorção e o máximo de eficiência na compreensão do sentido. Clareza, coerência e objetividade são o que precisamos buscar.
Além disso, a comunicação também reflete comportamentos e se tem algo nela que não muda ao longo do tempo é o cuidado ao abordar uma pessoa e ao encerrar uma conversação.
Por isso, listo algumas dicas valiosas, sobretudo, para o contexto comercial e/ou profissional:
– Cumprimente o interlocutor e já mencione o motivo do seu contato na mesma mensagem. Jamais, envie um “olá” ou “bom dia”, sem já mencionar o assunto;
– Evite enviar áudios para assuntos profissionais a menos que esse método tenha sido acordado antes. Os áudios dificultam as pesquisas a assuntos e dados que foram tratados e muitas vezes atrasa o retorno do interlocutor por indisponibilidade em ouvi-los de forma mais imediata. Lembre-se: nem todo aplicativo conta com a transcrição do texto;
– Use frases de confirmação, principalmente, para agendamentos. Reafirme o local, data e horário;
– Jamais deixe uma mensagem sem resposta. O assunto pode não ser de seu interesse atual, mas não precisa fechar uma oportunidade de interação futura;
– Tenha consciência que os trabalhadores fazem pausas: almoço, café, folga, final de semana. Nesse caso, suponha que uma demora no retorno pode ser justificada por esses intervalos que precisam, sim, ser respeitados;
– Considere os horários mais comuns de funcionamento comercial. Não é porque um profissional disponibiliza o seu contato nas redes sociais, que ele precisa ser abordado às 21 horas, por exemplo.
A internet não é uma terra sem lei. Vale nela os princípios do respeito, da empatia, do bom senso e da boa convivência. Isso, sim, nunca cai em desuso. A forma como nos comunicamos faz com que sejamos lembrados, ou não, para uma oportunidade futura. O comportamento chega antes que a mensagem. Por isso, que seja COM-TATO sempre.
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