Gestão do Conhecimento

A palavra gestão rege o mundo organizacional. Falamos em gestão de processos, de pessoas, de ativos, de tecnologia, de custos, enfim. Vivemos em uma Era em que a gestão mais importante é a do Conhecimento e, paradoxalmente, talvez seja a que recebe menos atenção por parte dos líderes.

Em revoluções industriais anteriores a especialização exigida era pontual, baseada na Administração Científica Taylorista, que se fundamentava na otimização de Tempos e Movimentos, ou seja, na simplificação do trabalho e na redução do seu tempo de execução.

Ford por sua vez, intensificou essa especialização por meio da produção em massa. Os consumidores tinham “todo o direito de escolha” de seu carro, desde que fosse do modelo Ford-T, na cor preta.

Se olharmos à nossa volta, entretanto, observamos uma concorrência acirrada e uma provisoriedade muito grande, que faz com o que o seu carro não seja igual ao do seu vizinho e que talvez você nunca tenha visto um Ford-T ao vivo. O seu smartphone e o seu computador se tornam obsoletos muito rapidamente e aquele leitor de DVD agora é inutilizado pelo streaming.

A Indústria 4.0 demanda uma eficiência multifuncional e inventiva, que garanta a criação de novos produtos, serviços e tecnologias, que antecipem as necessidades do consumidor, que hoje escolhe entre lojas físicas e virtuais. Esse momento demanda uma própria revolução na educação e na forma de pensar, sobretudo, quando pensamos no que a Inteligência Artificial (I.A) pode fazer em nosso lugar.

Para que as pessoas se utilizem de suas habilidades para formar competências, necessitamos reestruturar o processo de ensino/aprendizagem, gerenciando as informações para que estas se transformem em Conhecimento. Precisamos, então, disponibilizar às nossas pessoas um ambiente favorável para a criação, para a produção do conhecimento que será o verdadeiro diferencial. Além disso, precisamos gerenciar uma Cultura Organizacional que favoreça o compartilhamento entre gerações distintas, que aprendem de forma muito diferente.

Conhecimento nesse sentido é uma apropriação humana da informação que tem por objetivo a sua aplicação prática e por que não dizer estratégica? Sim, porque dizemos incansavelmente que máquinas e informações são facilmente adquiridas. O diferencial competitivo, todavia, está nas pessoas, em especial, naquilo que a I.A não pode criar, nem responder.

Mas, quais pessoas queremos e formamos em nossas organizações? Nossa maneira de gerir pessoas, tecnologia e conhecimento é compatível com o perfil de quem tentamos atrair?

Temos como tarefa, portanto, instigarmos a curiosidade e a oportunidade de aprendizagem, minimamente por meio da socialização de informações simples, mas que integram um todo mais complexo, seja de produção ou de serviço. Quantas ideias simples, mas de grande valia, um colaborador é capaz de sugerir? Qual a disponibilidade da maioria das organizações em ouvir, aceitar, implantar e valorizar?

A gestão atual tem, então, outra missão. Não basta apenas gerir o seu produto ou serviço. Tem-se que gerir o conhecimento! Criar formas que favoreçam o seu surgimento, organizá-lo, difundi-lo, trocá-lo e reconhecê-lo. A partir daí, o esforço deve ser para não deixar que o conhecimento se escoe com a saída de um colaborador ou meramente pelo não armazenamento do que foi gerado. Além disso, é o seu compartilhamento interna e externamente que fará com que outras redes em forma de novos conhecimentos se tornem possíveis. Para isso, o ambiente tem que favorecer a comunicação, o desafio, a troca e o reconhecimento.

O desafio é grande, mas quem disse que produzir e gerir a diversidade é fácil? Fácil nos dias de hoje seria projetar o Ford-T, o que a própria I.A é capaz de fazer!

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