Por Brunella Tristão
Certamente, você sabe citar pelo menos um motivo pelo qual as organizações devem investir na gestão de pessoas: aumento da produtividade, incentivo à inovação, adaptabilidade às mudanças, além de ser uma forma de desenvolver e reter os talentos atraídos pela boa reputação de uma empresa.
Neste contexto, você também já deve ter percebido o quanto a Inteligência Artificial (IA) tem desempenhado um papel significativo nos mais diversos setores: do agro aos processos industriais mais inovadores e informatizados.
A IA é fundamental na agricultura de precisão. Sensores, drones e algoritmos de aprendizado de máquina ajudam no monitoramento e otimização de recursos, como água e fertilizantes, além de preverem safras e identificarem áreas que precisam de atenção específica. Tratores autônomos e sistemas de colheita automatizados estão transformando as operações agrícolas.
Nas indústrias vemos a IA aumentando a eficiência operacional, monitorando o desempenho de máquinas em tempo real e prevenindo paradas não programadas. Linhas de produção autônomas e robôs colaborativos estão se tornando cada vez mais comuns.
Em ambos os segmentos a IA facilita a análise de grandes conjuntos de dados, fornecendo insights valiosos para a tomada de decisões, sem falar em sua utilização na otimização da cadeia de suprimentos, ajudando a prever demandas, gerenciar inventários de maneira eficiente e melhorar a logística de entrega.
Incrível, não é mesmo? Vale lembrar, contudo, que o investimento em pessoas complementa e potencializa os benefícios da IA. Afinal, temos competências exclusivamente humanas como empatia, criatividade, decisão, resolução de problemas complexos e habilidades interpessoais, que são essenciais em muitas situações e não podem ser totalmente replicadas pela tecnologia.
Pessoas bem treinadas e desenvolvidas são essenciais para o aproveitamento máximo do que Inteligência Artificial pode proporcionar ao analisarem as informações e aplicarem o seu conhecimento prático ao contexto específico de cada negócio.
A inovação colaborativa vem mostrando que a interação entre as capacidades da IA e a criatividade humana resulta em soluções mais abrangentes e eficazes. As pessoas são fundamentais na identificação de oportunidades de melhoria e de inovação que a IA sozinha pode não detectar.
Além disso, muito se fala nas dificuldades de contratação e no elevado índice de rotatividade nas organizações. Sendo assim, o investimento em pessoas pode ser o motivo decisivo para que queiram ingressar e permanecer em uma empresa, principalmente quando pensamos em gerações mais novas em que o senso de urgência é uma prioridade e um valor a ser perseguido.
Carecemos, então, de um alinhamento entre os objetivos das empresas, que precisam aumentar a sua eficiência e inovação e das pessoas, que querem enxergar no trabalho a possibilidade de atingir o seu propósito de vida.
Tenho certeza que as surpresas do que a tecnologia pode nos proporcionar serão cada vez mais frequentes. Precisamos preparar as pessoas para essa realidade, cada vez mais provisória.
Os colaboradores precisam focar em sua educação continuada e se desenvolverem em competências comportamentais e socioemocionais, se especializando naquilo que a máquina não pode fazer. As organizações precisam criar um ambiente propício à criação e troca do conhecimento, de uma forma que ele não se perca com a saída de um talento.
À iniciativa pública cabe o engajamento com uma educação diferenciada e inclusiva digitalmente em todos os níveis, para que a população acompanhe o desenvolvimento tecnológico. Ao contrário, teremos uma massa trabalhadora cada vez mais à margem dos empregos, que se tornam cada vez mais raros, quando pensamos em atividade repetitivas e operacionais. O prejuízo no aspecto social seria alto demais neste caso.
Como vemos o desafio é enorme e está em todos os níveis da sociedade.


