O poder da conexão humana

Por Brunella Tristão Simonelli

Que a Inteligência Artificial (IA) está transformando processos e revolucionando o mundo do trabalho você já sabe. Se por um lado vivemos uma nova era de eficiência e ganhos na produtividade, por outro, uma capacidade genuinamente humana nunca foi tão valorizada: a de criar conexão.

Nenhum processo de inovação e geração de conhecimento acontece sem conexão. Aliás, os próprios eventos de inovação e o discurso das startups trazem o conectar em seus nomes.

É na conexão que o reconhecimento individual, a valorização da trajetória e experiência de cada um se dá. É ela que traz o sentimento de pertencimento e a resposta de que as contribuições e capacidades individuais existem. É na interação que o individual faz sentido. Precisamos do outro para sermos um.

É importante que isso seja discutido e valorizado nas organizações, afinal, de acordo com uma pesquisa da McKinsey & Company, mais da metade dos funcionários que deixaram o emprego nos últimos seis meses não se sentiam valorizados por sua organização (54%), por seu gerente (52%), ou não tinham um sentimento de pertencimento (51%). Além disso, 46% citaram o desejo de trabalhar com pessoas que confiam e cuidam umas das outras. Isso mostra a valorização dos relacionamentos mais fortes, senso de conexão e desejo de serem notados.

A percepção de isolamento, de falta de apoio e de suporte podem ser considerados riscos psicossociais. Além de trazerem um impacto negativo no desempenho são fatores de adoecimento mental e por isso precisam ser minimizados.

É urgente a consideração de que a qualidade dos vínculos interpessoais mantidos no trabalho é capaz de repelir muitas pessoas, mas também de manter tantas outras. Pessoas saem por causa de pessoas e ficam pelo mesmo motivo, a depender da percepção da qualidade dessa relação.

O trabalho em si já traz muitas demandas, portanto, se espera que conflitos, indisposições e falta de colaboração não sejam pesos aos profissionais, que querem conexões sociais e interpessoais amistosas, leves e potencializadoras.

Por esse motivo a visão sobre o desempenho precisa ser ampliada. Não podemos falar simplesmente de produtividade. Ao contrário, precisamos avaliar a capacidade de criar vínculos e de potencializar o que há de melhor em cada um. Que produtividade valeria a perda de talentos em razão de uma interação tóxica? Já pensou nisso?

A tecnologia é um recurso, uma ferramenta, um meio. A conexão é humana. É o que cria conhecimento e inova. Que não confundamos as coisas.

brunella@talentorh.net

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