Quando um pedido de demissão é motivado por outro colaborador

Por Brunella Tristão Simonelli

Você deve conhecer alguém que pediu para se desligar de uma empresa em razão do relacionamento interpessoal ou da interferência negativa de outro colaborador.

Pois a minha recomendação nesse caso é clara: nunca perca um profissional por causa de outro. Se alguém mantém uma relação tóxica com as pessoas, não aceita ou não consegue desenvolver a qualidade do seu relacionamento interpessoal, ele lhe fará perder outras pessoas. Não vale a pena, principalmente se esse profissional ocupa um cargo de liderança em que o efeito é mais intenso e sobre um grupo maior de pessoas.

Tenho três exemplos claros sobre isso. Recentemente fiz uma seleção e com 45 dias de atuação o novato foi destratado por um veterano. A empresa demonstrou o seu apoio, tentou contornar o conflito, mas aos olhos do recém chegado a situação se tornou insustentável e uma vaga que demorou semanas para ser preenchida estava novamente aberta.

Em outro contexto uma novata estava sendo treinada por profissionais que já vivenciavam entre si uma tensão no relacionamento. O resultado foi a alegação de que não permaneceria na empresa, pois o clima organizacional era pesado.

Há poucos meses, às vésperas de um treinamento, a gestão me solicitou que trabalhasse a temática “comunicação não-violenta”, justamente por perceber dificuldades em manter os recém contratados, pela maneira como era tratados e ensinados pelos que tinham mais tempo de empresa.

Ora, a dificuldade de contratação você já conhece; é tema frequente nessa coluna. Se a toxicidade do ambiente não recebe a devida atenção e os profissionais que mantém o clima tenso permanecem, a rotatividade será elevada, tal qual os custos envolvidos nessa realidade.

Então, a sugestão é que você sempre realize uma entrevista de desligamento, seja quando demitir ou quando um profissional pedir o desligamento. Entenda a percepção dele sobre o ambiente, os pontos fortes e a desenvolver da organização, se ele voltaria a trabalhar na empresa e se teve algum fator específico que o desmotivou a permanecer ali. Quem está saindo, não tem reservas em expor o seu ponto de vista.

Se os dados lhe levarem a concluir que há pessoas que são foco de conflito, estabeleça regras claras de mudança comportamental, expondo resultados esperados e prazos, junto a um apoio de desenvolvimento. Mas, se nada disso for o suficiente você já sabe: não perca um profissional por causa de outro. Se ele lhe faz perder um colaborador, fará com que perca outros parceiros importantes e até clientes.

Por fim, lembre-se: esses exemplos têm um efeito muito negativo sobre a reputação de qualquer empresa e será cada vez mais difícil atrair novos talentos assim. Como disse no início: a conta é alta; não vale a pena.

Às vezes, se alega que o RH não sabe contratar, quando na verdade é a organização, em várias nuances, que não adota práticas de retenção.

brunella@talentorh.net

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