15 de novembro: uma data propícia para correlacionarmos cidadania corporativa e gestão de pessoas

Por Brunella Tristão Simonelli

No dia 15 de novembro de 1889, Dia da Proclamação da República, o Brasil deixava a monarquia para adotar um sistema que defendesse a maior participação e igualdade entre os cidadãos.

E por que esse assunto virou tema dessa coluna? Ora, esse evento histórico tem tudo a ver com a gestão de pessoas nos dias atuais.

As empresas mais modernas e atrativas, por meio da cidadania corporativa, adotam uma cultura organizacional que valorize a igualdade, a justiça e a participação, além de incentivarem o engajamento dos colaboradores com as ações de responsabilidade social.

A cidadania corporativa, portanto, representa o compromisso das empresas em agirem de maneira ética, responsável e transparente, não só em relação aos seus resultados financeiros, mas também na interação com seus stakeholders: colaboradores, clientes, investidores, fornecedores e comunidade, etc.

Como práticas condizentes com essa proposta e momento empresarial, podemos citar o compromisso com a Diversidade e Inclusão (D&I), além da valorização da equidade e do envolvimento dos colaboradores em uma gestão participativa. Esses são valores fundamentais das empresas mais responsáveis socialmente, que nos remetem aos ideais republicanos.

As empresas devem garantir que todos os colaboradores sejam tratados com respeito e justiça, independentemente de gênero, raça, religião, geração, condição física ou orientação sexual. Isso se traduz, por exemplo, em políticas de contratação que valorizem a diversidade e na promoção de um ambiente efetivamente acolhedor, com equidade de oportunidades.

Em empresas que adotam a cidadania corporativa não há espaço para discriminação, favoritismo ou privilégios. Essa prática exige que sejam estabelecidas métricas de entrega e de desempenho claros e objetivos para que todos os colaboradores compreendam a missão de seus cargos e a forma como as suas contribuições serão avaliadas e reconhecidas. A clareza dos contratos psicológicos é oportunizada a todos. Aliás, a transparência desses critérios é uma necessidade.

Fazendo uma analogia com outro pilar republicano, a cidadania corporativa promove a participação ativa dos colaboradores em decisões que impactam o ambiente de trabalho e o futuro da empresa. Organizações que incentivam a gestão participativa, criam canais de comunicação transparentes e abertos. Para tal, desenvolvem líderes descentralizadores, que serão os agentes fundamentais dessa mudança. Por meio do empowerment, as decisões são compartilhadas e potencializam a criatividade, a inovação e a gestão do conhecimento.

Essa descentralização pode ocorrer de diversas formas: comitês internos, planos de ação elaborados a partir de pesquisas de clima organizacional, reuniões de feedback, gestão por projetos ou até mesmo plataformas digitais de ideias ou programas de Kaizen.

Não para por aí. A cidadania corporativa envolve os colaboradores em um propósito organizacional, que pode ser compartilhado com seus propósitos de vida. E aqui temos o fortalecimento de um elo importante entre pessoas, empresas e sociedade. As ações de responsabilidade social, em que a empresa se compromete com causas importantes, como sustentabilidade, educação e apoio à comunidade passam a fazer sentido para todos.

É real! A cidadania corporativa traz melhorias para o ambiente interno, aumenta a reputação da organização e reforça o seu compromisso com a sociedade. Não se trata de um modismo que precisa ser adotado e divulgado. Ao contrário, refere-se a um compromisso ético, sem deixar de ser uma política estratégica, uma vez que empresas que valorizam a diversidade, a justiça e o engajamento têm equipes mais comprometidas, resilientes e capazes de enfrentar os desafios de forma colaborativa.

Obviamente, a cidadania corporativa não é alcançada de um dia para o outro. Ela requer um processo de gestão de mudança e de desenvolvimento organizacional. O que posso afirmar é que seus resultados são positivos para a empresa, colaboradores, sociedade e para a sustentabilidade em longo prazo. Cidadania corporativa é tudo de bom e pode ser a sua próxima meta.

brunella@talentorh.net

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