Por Brunella Tristão Simonelli
São inegáveis as transformações que passam o mercado de trabalho e a relação que as pessoas estabelecem com a sua vida profissional. Há, contudo, repetidamente, uma tentativa de explicar tais transformações com um mapa mental de anos atrás, o que, obviamente, não leva a nenhuma análise racional e coerente. Se a dinâmica da nossa vida mudou, por que a lógica do trabalho continua a mesma?
Falta de mão de obra, as pessoas não são mais comprometidas, a entrega é baixa, a permanência nos empregos é curta. Logo, conclui-se que, sobretudo, a geração Z, não quer trabalhar. E todos repetem essa correlação, que na verdade é muito simplista para explicar toda a complexidade do que temos vivenciado.
Até então a lógica geracional era a de profissionais que trocavam de trabalho, principalmente pela ascensão na carreira e por salários mais atrativos. Estamos falando agora de uma geração que quer enxergar no seu trabalho o propósito que tem para a sua vida. A geração Z busca conexão, qualidade de vida e saúde mental. Não é que esses profissionais não queiram trabalhar; eles não querem ter a vida profissional que os seus pais tiveram.
Ora, não tem como fugir dessa geração. Precisamos entender a forma como se relacionam com o trabalho e admitir que a lógica que estabelecem em relação ao tempo também é diferente. Sendo assim, as suas expectativas em relação às promoções, por exemplo, é de que ocorram em um intervalo bem menor, do que as organizações têm praticado.
Não vamos desconsiderar algumas questões comportamentais adotadas pelos “Z” que precisam de acompanhamento e gerenciamento para não afetarem negativamente o trabalho. Ela é mais uma geração que demanda gestão.
Nesse sentido, a recomendação é que as organizações se lancem a uma reformulação de como é fazer gestão de pessoas na atualidade. O discurso de que está difícil, de que não há profissionais, de que a retenção não acontece mais, tem sido improdutivo. É um fato? Sim! Necessita de intervenção e de gestão de mudança? Também.
Então, eu convido as empresas a uma prática que pode parecer contraditória. Nas comemorações do 1º de maio tire o foco do trabalhador e o volte para a própria organização, para a sua cultura e a forma como tem se adaptado (ou não) às transformações do mercado de trabalho. Façamos o caminho inverso: vamos analisarmos atentamente as práticas organizacionais para só então, retornarmos o olhar para o trabalhador e agora sim, de forma personalizada e adaptada a uma nova realidade que é bem maior que nós.
Precisamos sair do discurso da dificuldade e criarmos estratégias de transformação. Não é uma discussão de quem está certo ou errado, tampouco, uma defesa incondicional dessa geração e a consequente condenação do empregador. É um comprometimento com a eficiência, com a adaptação e, inegavelmente, com a necessidade de atrairmos e retermos pessoas. Afinal, ressaltarmos as dificuldades, não tem nos levado a lugar algum.
Que tenhamos um feliz Dia do Trabalhador: empresas e profissionais.


