Por Brunella Tristão Simonelli
E vamos antecipar as comemorações do 1º de maio, Dia do Trabalhador e da Trabalhadora, fazendo uma reflexão sobre os novos rumos das relações de trabalho.
A bola da vez é o investimento em saúde mental, afinal, para aqueles que ainda não tinham essa prática, a atualização da NR-01 traz essa exigência legal. Alguns argumentos são contrários à adoção de práticas de prevenção por parte das organizações por considerarem os custos elevados. Além disso, muitos entendem que esse investimento deveria ser individual, sobretudo, quando se relaciona o adoecimento apenas ao trabalhador e não à organização do trabalho em si.
Analisemos essa situação de outra perspectiva. O Guia de informações sobre os Fatores de Riscos Psicossociais Relacionados ao Trabalho, publicado há poucos dias pelo Ministério do Trabalho e Emprego traz dados para lá de preocupantes.
Segundo informações de 2022 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e da Organização Mundial de Saúde (OMS), a ansiedade e a depressão fazem com que 12 bilhões de dias de trabalho sejam perdidos anualmente. Em termos de valores, temos um custo de quase um trilhão de dólares à economia mundial, mais especificamente, relacionado à perda de produtividade.
No Brasil, por exemplo, os transtornos ansiosos representaram 3,78% do total de adoecimentos e perdem apenas para dorsalgia e para as lesões do ombro. Já os episódios depressivos, bem como, as reações ao estresse grave e transtornos de adaptação representaram 2,32% e 2,25%, respectivamente. Somados, esses transtornos representam 8,35% dos adoecimentos ocupacionais em 2022, ocupando o 2º lugar no ranking.
Dito isso, podemos concordar que os custos em si já estão postos. O podemos fazer é tratar o adoecimento mental como algo que pode ser evitado e diminuir esses índices de afastamentos por meio da prevenção e redução dos riscos.
A ideia de perda já existe. Perde-se em produtividade, assiduidade e em entrega. O que se pretende agora é transformar esses custos em investimento e mitigar os riscos psicossociais, a fim de preservar e promover a saúde mental dos trabalhadores. Os efeitos? Aumento do desempenho, da produtividade, da reputação da empresa e da retenção de pessoas.
Precisamos sair do discurso da dificuldade e criarmos estratégias de transformação. Não se trata de uma discussão de quem está certo ou errado ou uma relação ganha-perde; trata-se de uma adaptação a uma outra lógica nas relações de trabalho. Sim, é um comprometimento com a adaptação aos novos tempos, que tem tudo para dar certo e surpreender em termos de resultados.
Que tenhamos um feliz Dia do Trabalhador e da Trabalhadora: empresas e profissionais.


