Por Brunella Tristão Simonelli
Você o contratou por ser, tecnicamente, um talento. A sua experiência anterior, inclusive, em uma atividade similar à de sua organização teria tudo a agregar ao seu negócio, não fosse um impasse: a resistência ou, se preferir, a dificuldade de adaptação.
Recentemente, em um planejamento de desenvolvimento de líderes, um cliente me relatou vivenciar essa situação que afeta o próprio fortalecimento da identidade organizacional. Há pessoas conhecedoras do segmento e com habilidades surpreendentes em suas respectivas funções, mas que passam por dificuldades de adequação a uma nova empresa. Repetidamente é possível ouvir: “lá a gente fazia dessa forma” ou “ah, mas sempre foi assim”.
Empresas antenadas com o futuro buscam o seu desenvolvimento. Há de se considerar, entretanto, que o nível de maturidade difere de uma organização para a outra e que o tempo e os recursos necessários também.
Isso quer dizer que não basta ter experiência em uma função e mais especificamente, em um ramo de atividade profissional. Para transformar essa expertise em resultados é preciso saber adaptá-la a um novo ambiente, com novas pessoas e modos de funcionamento diferentes do habitual.
Nesse caso, o grande diferencial do profissional será a destreza para demonstrar uma nova maneira de realizar algo, como a análise de um cenário sob uma perspectiva diferente, por exemplo, ao invés de simplesmente transmitir a insatisfação com um modo de trabalho que poderia ser outro.
A busca deve ser pelo fortalecimento de parcerias. Portanto, os profissionais mais competentes agirão estrategicamente para envolver as pessoas em novos projetos, testar novas metodologias, redesenhar processos, ao invés de resistirem e transmitirem uma postura questionadora, que valoriza mais a crítica, do que o resultado.
O profissional que adota essa postura é empático e age promovendo a mudança. Pode ser que isso se dê em um ritmo diferente do que gostaria, todavia, a transformação está acontecendo. Ele percebe que têm uma excelente oportunidade em mãos: a de ensinar, de ser um formador de pessoas e de processos. Assim, não a desperdiça com inflexibilidade. Afinal, conhecimento é diferente de sabedoria.


