Nossa Senhora da Penha, o que é isso?

Por Brunella Tristão Simonelli

Nossa Senhora da Penha; minha Nossa; valha-me Nossa Senhora; “nossinhora”; “nuss”. Essas são algumas expressões de espanto ou simplesmente surpresa, especialmente para os capixabas, que comemoram no próximo dia 13, o dia da Padroeira do Estado, Nossa Senhora da Penha.

Espanto, surpresa, susto ou indignação. Acho que vale uma reflexão sobre esse tema ou, de forma mais direta, sobre o que nos surpreende (ou não) hoje em dia. Isso porque o pior efeito, diante de tantas tragédias que acompanhamos nos noticiários diariamente, certamente, é o de não nos indignarmos mais; é o de nos acostumarmos com tudo isso.

A violência doméstica me espanta. Saber dos índices alarmantes que acometem relações que deveriam ser genuinamente afetivas, seja entre pais e filhos ou entre aqueles que são ou já foram cônjuges é tenebroso.

A violência no trânsito me assusta. Saber que alguém usa de um bem como arma, quando assume um comportamento irresponsável em uma via compartilhada me gera indignação, assim como, quando alguém se acha no direito de atirar, só porque um outro veículo o fez frear.

A dignidade humana ignorada por uma relação de poder, seja no trabalho ou nas relações sociais em geral, me faz refletir sobre o que somos capazes.

A seletividade da justiça, da disponibilidade de recursos e até mesmo da nossa indignação me leva a pensar sobre esse lugar para o qual estamos caminhando.

Esses são apenas alguns exemplos que requerem a nossa análise como sociedade. Eu sei que em alguns momentos estamos mais ou menos ativos no nosso papel de tentar reconstruir uma ordem dentro do território que nos cabe, contudo, o que não podemos perder jamais é justamente a capacidade de nos indignar.

Quando nos acostumamos ou normalizamos a violência, a injustiça e o afronto à dignidade estamos legitimando o que já perdemos e deixando de buscar aquilo que nos cabe.

A violência não é normal. No âmbito familiar, no trânsito, no trabalho, nas escolas, nas relações de poder, onde quer que seja, não podemos normalizar a violência.

Então, que não percamos a capacidade de nos indignar. Parece pouco, entretanto, já é uma recuperação importante daquilo que me parece estarmos perdendo.

Que Nossa Senhora da Penha nos proteja, mas que também façamos a nossa parte como sociedade.

brunella@talentorh.net

#Indignacao #NaoAViolencia #DignidadeHumana

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