O impacto da tecnologia em nosso ritmo e em nossa vida

Por Brunella Tristão Simonelli

Às vezes fico lembrando de como era a nossa vida antes de termos os mapas de navegação. Se íamos a um lugar desconhecido, nos preparávamos antes pedindo referência de como chegar ali. Perguntávamos, anotávamos, memorizávamos referências. Errar o caminho fazia parte do processo e, muitas vezes, gerava encontros, aprendizados e histórias.

Mas, você gostaria de voltar atrás? A tecnologia vem cumprindo a sua promessa: reduzir esforço, tempo e incertezas. Ela não retrocede; ela se incorpora ao cotidiano, redefine padrões e cria um novo “normal”. Acredito, inclusive, que ninguém queira deixar de usar o smartphone para recorrer ao orelhão. E é nesse avanço tecnológico que vivemos que está um dos impactos mais diretos em nosso ritmo e em toda a nossa dinâmica cotidiana.

Como consequência vivemos em um estado de urgência permanente. Tudo é imediato: respostas, entrega, decisões e opinião. O tempo que antes era usado para pensar, amadurecer e elaborar foi comprimido, gerando ansiedade, sensação de insuficiência constante e dificuldade de foco e profundidade. É como se sempre estivéssemos perdendo alguma coisa e ficando obsoletos tal qual o orelhão.

Mas, se por um lado, os mapas nos levam ao destino, por outro, nos roubam a experiência do caminho. Estamos mais eficientes, sim, e ao mesmo tempo menos presentes, menos atentos ao outro e menos conectados a nós mesmos.

Se você não precisa mais escolher o que ler, já que o algoritmo se encarrega disso para onde vai a sua autonomia? Como fortalecer o senso interno de direção e de escolhas?

Vamos lembrar: a tecnologia não vai retroceder. Ela vai se refinar e acelerar a oferta de novas oportunidades ao mesmo tempo em que a sua permanente evolução, somada ao marketing que provoca novas necessidades nos sujeitos, molda novos padrões de consumo e de desejo. O problema não está nela. Está no exercício interno de recuperarmos o que há de mais humano em nós, inclusive o direito a pausas, introspecção e fortalecimento da nossa consciência.

O artigo de hoje vem como uma provocação. Espero instigar você a refletir sobre a sua relação com a tecnologia, a aceleração do tempo e a redução das conexões reais. Na próxima semana trarei sugestões de como podemos nos posicionar diante de tantas transformações com o objetivo mais sublime de permanecermos humanos. Até lá.

brunella@talentorh.net

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