O poder do feedback

Por Brunella Tristão Simonelli

Você já recebeu um feedback que mudou a sua vida? Já forneceu um feedback que mudou a vida de alguém?

Na minha prática profissional é muito frequente a realização da avaliação de potencial, solicitada pelo próprio trabalhador ou, na maioria das vezes, atendendo a uma demanda organizacional. O objetivo é claro: colocar em uma “balança” os pontos fortes e os pontos a desenvolver do avaliado.

Quando a demanda vem como um processo organizacional, tanto o avaliado, quanto o gestor recebem o feedback do que foi levantado. Nesse conteúdo entram habilidades, características de personalidade, dinâmica emocional e necessidades motivacionais.

Às vezes o conteúdo, sobretudo no que se refere às necessidades de desenvolvimento, é bastante delicado e precisa ser fornecido com maestria e acolhimento para que não tenha o efeito contrário. Frequentemente esbarra em questões emocionais, conflitos internos ou até mesmo em uma fragilidade estrutural significativa, que conta com grande esforço do avaliado para que permaneçam submersos.

É bem comum eu me questionar sobre como posso abordar um ponto de uma maneira respeitosa e que seja edificante para aquele sujeito especificamente. E por incrível que pareça, a aceitação é mais frequente do que a negação.

Muito se fala em saúde mental, mas muitas pessoas ainda não dão a devida importância ao tema. Seja por resistência, por desinformação ou devido a um autoconhecimento insuficiente para se perceber no mundo, a dinâmica emocional ainda é um tema delicado, talvez um tabu.

O fato é que todos nós temos algum ponto que merece evolução em nossa dinâmica emocional e de personalidade, logo em nossa saúde mental. Olhar para esses aspectos como um nó a ser desatado é o primeiro passo para o amadurecimento e uma necessidade para o crescimento profissional e pessoal.

Comentários como “nossa, você está me descrevendo”, “parece a leitura do meu chip interno” ou então, “fiz tanto esforço para deixar isso encoberto a vida toda” são bem comuns, contudo, o que mais importa é o que é feito dali para a frente.

Para algumas pessoas uma abordagem madura sobre o conteúdo do feedback é suficiente para que ela se movimente na vida na tentativa de desatar aquele nó. Para outras, o processo será mais longo, por vezes, envolvendo a submissão a um processo psicoterapêutico sério. O importante é que o movimento seja iniciado; não importa muito a que velocidade.

Em síntese, há quem se depare com o conteúdo do feedback e volte a encobri-lo, há quem se movimente após “des-cobri-lo”. Quem você seria nesse processo?

O feedback coerente e respeitoso é transformador; gera movimento e crescimento. Todos nós podemos ser a parte tocada ou a que toca com cuidado e zelo a vida de alguém. Vale muito a pena.

brunella@talentorh.net

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